Jader alega inocência e descarta renúncia

O presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), afirmou nesta segunda-feira que não se lembra de ter feito depósitos em um fundo de aplicação, onde também haviam cheques administrativos do Banco do Estado do Pará (Banpará), na época em que era governador.Jader, que está sendo investigado pelo Ministério Público Federal pelos desvios no Banpará, entre 1984 e 1987, apresentou, novamente, uma certidão do Banco Central inocentando-o.Ele ressaltou que, se havia indícios de sua participação nas irregularidades, o BC prevaricou ao não citá-lo no relatório final."Eu não sei. Tenho uma dificuldade enorme para dizer se depositei ou não no fundo", afirmou o senador, repetindo o comportamento adotado em seu depoimento à Polícia Federal sobre a venda dos Títulos da Dívida Agrária (TDAs), quando se limitou a responder laconicamente às perguntas que o poderiam comprometer diante da Comissão de Ética do Senado."Apesar de ser uma data recente, de 17 anos atrás, confesso que há uma dificuldade em dar maiores informações", ironizou Jader, a respeito dos depósitos.O presidente do Senado praticamente colocou no Banco Central a responsabilidade por ele não ter sido investigado na época dos desvios.Jader apresentou uma certidão do BC assinada pelo ex-presidente Francisco Gros e pelo ex-procurador geral da instituição João Coelho Ferreira, declarando que "muito embora os inspetores do Banco Central tenham se esmerado na busca de documentação, com vistas a individualizar os infratores, não conseguimos detectar provas suficientes, robustas, convincentes, no sentido de, juridicamente, indiciar o senhor Jader Barbalho.""Vocês deveriam é procurar o BC, que disse que eu não tenho nada a ver com isso", acrescentou o presidente do Senado, afirmando não haver contradição entre o fato de o Banco Central tê-lo inocentado em 1992, quando foi elaborado o relatório final, e ter cedido técnicos, há dois meses, para ajudar os Ministérios Públicos Federal e Estadual a investigá-lo, novamente, pelo menos motivo.Jader assegurou que, mesmo diante da possibilidade de responder a um inquérito por peculato - quando o dirigente ou funcionário público se apodera de um bem público - não pretende renunciar à presidência da Casa. "Isso aconteceu na época dos militares, com o AI-5. Num regime democrático, existem o contraditório e a lei", disse.Irônico e aparentemente abatido, o presidente do Senado poderia já estar sentindo o efeito das denúncias que pesam contra ele, principalmente a respeito dos desvios do Banpará.Nos últimos dias ele pouco saiu pelas ruas de Belém e passou o fim de semana no Balneário de Salinópolis, a 300 quilômetros de Belém, para onde pretende voltar nos próximos dias.Ele afirma que recebe telefonemas constantes de solidariedade, mas nega que algum tenha partido do presidente Fernando Henrique Cardoso, com quem não conversa há mais de duas semanas.Os vizinhos se negam a comentar a situação de Jader, talvez o paraense mais falado na imprensa nos últimos anos.Na banca de jogo de bicho, coincidentemente chamada de "JB, a jogada certa", todos os apostadores desconversam quando o assunto é a situação do senador.O edifício Strauss, onde Jader mora, e onde um de seus seguranças particulares ajuda na vigilância, fica em um bairro de classe média alta. No prédio da frente, mora o superintendente em exercício da Polícia Federal, José Sales, e na casa ao lado, os pais da petista Ana Júlia, candidata em potencial ao Senado, no próximo ano.Jader decidiu, também, que só volta a Brasília provavelmente no final do mês e não participará da reunião do PMDB, nesta semana. "Não sei de reunião, não me convocaram", afirmou, lembrando que usará o mesmo documento do Banco Central para responder aos companheiros de partido, caso seja questionado."Se falarem sobre tudo isso, vou dar o documento. Todo mundo vai ficar horrorizado, vão verificar que eu sou vítima", disse o presidente do Senado.

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