André Dusek|Estadão
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Jacques Wagner diz que denúncia contra Lula foi um desrespeito e pode elevar tensão social

Em reunião do PT em São Paulo, ex-ministro-chefe da Casa Civil afirmou ter apreço pelo Ministério Público, mas que, sem regras, qualquer um pode fazer o que quiser

Álvaro Campos e Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2016 | 12h23

O ex-ministro-chefe da Casa Civil e ex-governador da Bahia, Jacques Wagner disse nesta quinta-feira, 15, que a denúncia feita na quarta-feira, 14 contra o ex-presidente Lula foi um desrespeito e pode elevar a tensão social no País.

"Eu conheço o Lula há décadas. Ele vive há anos na mesma casa", comentou. Wagner disse que tem apreço pelo Ministério Público, mas que, sem regras, qualquer um pode fazer o que quiser. "Se não tem lei, cada um faz a sua", afirmou. O ex-ministro disse que o clima atual pode gerar uma tensão social, mas acredita que a denúncia contra Lula não deve ter muito impacto nas eleições. "O impacto (para o PT) pode ser até positivo. No meu Estado, no Nordeste, cresce a indignação das pessoas com essas injustiças", afirmou Wagner ao chegar para reunião do diretório nacional do PT, em São Paulo.

Segundo ele, a ex-presidente Dilma Rousseff não participará do encontro que também contará com a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Às 13h, Lula deve dar uma entrevista coletiva para comentar a denúncia feita pelo Ministério Público Federal, na qual ele foi chamado de "comandante máximo de uma organização criminosa".

O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou que o partido vai continuar insistindo na tática de denunciar o golpe contra Dilma nos órgãos internacionais. "O que nós temos visto nos últimos dias faz parecer que nós vivemos em uma República de bananas", comentou. Ele afirmou que existem dois pesos e duas medidas e questionou porque o Ministério Público não convocou coletivas de imprensa para falar sobre as denúncias contra José Serra e Aécio Neves, do PSDB, e mesmo contra o presidente Michel Temer (PMDB). 

Lula. O ex-presidente chegou no fim da manhã no hotel no centro de São Paulo onde ocorre a reunião do diretório nacional do PT. Ele evitou passar por onde os jornalistas estavam concentrados aguardando sua chegada e entrou por uma porta alternativa. Alguns apoiadores o receberam com gritos de "Lula, guerreiro, do povo brasileiro".

Um dos advogados de Lula, Cristiano Zanin Martins, também chegou no fim da manhã. Ele afirmou que a denúncia do Ministério Público Federal é absolutamente "descabida e fantasiosa". Segundo ele, a defesa pretende tomar ações contra essa denúncia, mas ainda está estudando o caso e por isso não vai revelar sua estratégia.

Já o senador Humberto Costa (PT-PE) disse acreditar que o juiz Sérgio Moro vai aceitar a denúncia contra Lula, já que o objetivo de todo esse esquema é condenar o ex-presidente em segunda instância e, assim, torná-lo inelegível pela lei da Ficha Limpa. Já sobre um eventual pedido de prisão contra Lula, Costa disse que isso seria "um ato de insanidade". "Não há provas, não há nada que diga que Lula cometeu algum crime".

Costa afirmou que o MP deveria buscar a verdade, desprovido de partidarismo, e que o "espetáculo pirotécnico" de ontem prejudicou a imagem da instituição. "Para que existe a investigação? Para se encontrar provas. Não pode acontecer que a sua convicção apenas prevaleça", comentou. 

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