Reuters/ Adriano Machado
Reuters/ Adriano Machado

'Já temos novo ministro da Educação?'; parlamentares cobram saída de Ribeiro após propina em ouro

Cobrança são feitas por deputados após revelação de pedido de propina em dinheiro e 1 Kg em ouro por um dos pastores que controlam um gabinete paralelo no MEC

Lauriberto Pompeu, O Estado de S.Paulo

23 de março de 2022 | 10h29
Atualizado 24 de março de 2022 | 10h36

BRASÍLIA - A revelação pelo Estadão da cobrança de propina em dinheiro e em ouro por um dos pastores que controlam um gabinete paralelo no MEC fez aumentar a pressão pela saída de Milton Ribeiro do comando do Ministério da Educação. “Já temos novo Ministro da Educação? Ou os esquemas vão continuar? Déjà vu… acho que já vi esse filme!”, disse o deputado Luís Miranda (Republicanos-DF) por meio do Twitter.

Miranda é um dos atuais vice-presidentes da Frente Parlamentar Evangélica. Ele ficou conhecido no ano passado por denunciar um suposto esquema de compra de vacinas contra coronavírus pelo governo federal. A bancada evangélica ainda não se posicionou oficialmente, mas tem procurado se afastar de Ribeiro. Deputados do grupo tem falado que o ministro, apesar de ser evangélico, não foi indicação deles e que a bancada queria o reitor do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), Anderson Correia, no cargo.

A declaração aconteceu logo após o Estadão revelar que um pastor pediu propina em ouro e em dinheiro para facilitar o acesso de prefeitos ao MEC. Como mostrou o jornal na última sexta-feira, 18, um gabinete paralelo de pastores se instalou na pasta. Deputados e senadores já acionaram a Procuradoria-Geral da República (PGR) cobrando apuração da improbidade administrativa e tráfico de influência.

Outra cobrança pela saída do ministro veio da deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP). "Enquanto pastores negociavam propina em OURO para direcionar recursos do MEC, milhões de alunos estavam sem acesso à educação ou largando a escola. Corrupção e incompetência destroem futuros. É inadmissível que diante de tanta destruição, Milton Ribeiro siga no cargo!", escreveu a parlamentar no Twitter.

“Estou achando que o ministro da Educação (Milton Ribeiro) deve cair. O centrão quer o cargo”, disse o deputado Alessandro Molon (PSB-RJ), ao Estadão/Broadcast, durante o ato de filiação do ex-governador Geraldo Alckmin ao PSB, em Brasília.

A deputada estadual Janaína Paschoal (PRTB-SP) também se manifestou sobre o caso e cobrou o afastamento de Ribeiro. “O mais prudente seria o Presidente afastar o Ministro da Educação, para que sejam feitas as devidas apurações”, disse a apoiadora do presidente. “Há indícios fortes de tráfico de influência, mas pode ser algo pior. No Direito Penal, a dúvida favorece o réu; No administrativo, na dúvida, afasta!”, completou.

Integrantes de partidos do Centrão, principalmente do Progressistas, cobiçam a vaga no MEC e pressionam pela saída de Ribeiro. Hoje o partido do ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, já exerce grande influência sobre a pasta e comanda o Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação (FNDE), órgão bilionário do MEC. A estrutura é presidida por Marcelo Lopes da Ponte, ex-assessor de Ciro no Senado.

No entanto, segundo o Estadão ouviu auxiliares diretos de Bolsonaro, mesmo com a acusação de propina, o presidente resiste a trocar o ministro. O filho ‘01’ do presidente, senador Flavio Bolsonaro (PL-RJ), deu o tom do que o pai pensa e disse que Ribeiro é importante para o projeto bolsonarista de enfrentamento à esquerda.

Explicações

O pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, pediu que Ribeiro se explique melhor, já que na opinião do líder religioso, o ministro tem sido “genérico” ao comentar o caso. “Não pode ser genérico, tem que detalhar, mostrar, até para sua isenção”, afirmou ao Estadão.

“Eu não sou petista para proteger seus corruptos e seus errados. Não estou chamando o ministro de corrupto, estou dizendo que, se tem corrupção de pastor, vá para o pau. Não tem que proteger nada, não”, disse.

No entanto, o líder religioso, que é próximo do presidente Bolsonaro, disse que Miranda não tem autoridade para falar em nome dos evangélicos e que é “inimigo do presidente”. 

Mesmo assim, Malafaia reforçou que Ribeiro deve explicações. “Não adianta querer colocar no colo do presidente, esse jogo é nefasto, nojento, mas o ministro é sim obrigado a dizer”./ COLABOROU IANDER PORCELLA

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