Já havia mortos antes da chegada da PM, diz testemunha

Havia presos mortos no Pavilhão 9 da Casa de Detenção antes da chegada da tropa de choque ao Carandiru. Essa foi a principal declaração do juiz Ivo de Almeida, testemunha convocada pela defesa do coronel Ubiratan Guimarães, acusado de 111 mortes e de 5 tentativas de homicídio no massacre do Carandiru, ocorrido em 2 de outubro de 1992. Hoje é o último dia de depoimentos no tribunal. O julgamento termina amanhã, com os debates entre acusação e defesa, depois do que os jurados vão se reunir para decidir se o réu é culpado ou inocente.O juiz disse ter tocado em um corpo de preso retirado do pavilhão logo no começo da invasão da PM. Segundo o magistrado, o cadáver estava frio e com o sangue coagulado. A estratégia da acusação foi perguntar ao magistrado se a ação da PM era necessária patra controlar a rebelião, e a resposta foi sim. Ao mesmo tempo, Almeida afirmou que não lhe cabia dizer se a ação da Polícia Militar teria sido inábil.A promotoria questionou e o juiz admitiu que, após o massacre, o governo passou a adotar tática diversa para tratar das rebeliões de presos, preferindo cercar os presídios e vencê-los pelo cansaço, em vez de invadir. "Já vi situações em que o comandante da ação disse que não dava para entrar." Vicente Cascione, advogado do coronel, explorou também episódios recentes e violentos ocorridos em rebeliões de presos, como a decapitação de detentos.O juiz também disse que no seu entender, caso o coronel não desse a ordem de invasão e ela fosse necessária, Ubiratan poderia ser acusado de prevaricação. Além disso, ele teria saído do pavilhão logo no início da operação, após ter sido ferido. Indagado pela promotoria, o juiz afirmou que depois do fim do governo de Luiz Antônio Fleury (então no PMDB, hoje PTB), em 1995, ele nunca mais constatou nenhum excessso por parte da PM em nenhuma rebelião.

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