Já há 3 candidatos para a vaga de procurador-geral

Souza disse a colegas que não concorrerá ao terceiro mandato

Felipe Recondo, O Estadao de S.Paulo

29 de novembro de 2008 | 00h00

Está aberta a disputa por um dos mais poderosos cargos da Esplanada, o de procurador-geral da República. A sete meses do fim do segundo mandato de Antonio Fernando de Souza, os procuradores começam a se articular e discutir, nos bastidores, quem será o xerife da Esplanada de 2009 a 2011.Por enquanto, três nomes são dados como certos para integrar a lista de pré-candidatos, que serão escolhidos em eleição interna promovida pelos próprios procuradores no início do ano que vem: o atual vice-procurador-geral, Roberto Gurgel, e os subprocuradores Wagner Gonçalves e Ela Wiecko. Os três têm perfil semelhante ao de Souza: não poupariam o governo de investigações que possam causar prejuízos políticos.Internamente, alguns procuradores contavam com a candidatura de Souza para um terceiro mandato, o que transformaria a eleição interna em referendo ao seu nome. A Constituição permite que o procurador-geral seja reconduzido pelo presidente da República para sucessivos mandatos de dois anos. Souza já adiantou a colegas que não pretende ficar mais dois anos no posto.De qualquer forma, a palavra final sobre quem deve exercer o posto de procurador-geral será dada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva até o fim de junho de 2009, quando termina o atual mandato.Em maio, a Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) pretende encaminhar a lista com os três nomes mais votados pela categoria. Como o Ministério Público entra em recesso em dezembro e muitos procuradores estarão de férias em janeiro, a movimentação inicial para angariar apoio foi antecipada.INDICAÇÃOPela legislação, Lula não é obrigado a indicar o mais votado da lista da associação, mas tem adotado essa prática. Foi assim na escolha de Cláudio Fonteles, o primeiro procurador-geral na gestão Lula, e nos dois mandatos de Souza.Na última lista, por sinal, Souza foi o mais votado, Roberto Gurgel foi o segundo colocado - e por isso escolhido vice-procurador-geral - e Wagner Gonçalves, que coordena a Câmara Criminal da procuradoria, ficou em terceiro.Na época, Souza enfrentava resistência de integrantes do governo pela denúncia contra os 40 envolvidos no esquema do mensalão, encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF). Sua recondução foi tema de divergências no governo, mas acabou bancada por Lula.Discreto e avesso a entrevistas, ele não poupou o governo em suas investigações e colecionou denúncias importantes nos três anos à frente do cargo. Entre eles, o mensalão petista, o mensalão do PSDB em Minas e a denúncia contra o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci no caso da violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa.

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