''Já fiz tudo para provar inocência''

Deputado rejeita acusações e diz que ainda será visto como vítima

Ricardo Brandt, O Estadao de S.Paulo

10 de maio de 2008 | 00h00

O deputado Paulinho da Força (PDT-SP) nega relação com os desvios no BNDES e diz que já fez de tudo para provar sua inocência e ainda será visto como vítima. Seu advogado, Antonio Rosella, indignou-se: "é loucura, um absurdo" imputar a Paulinho envolvimento com o esquema desmascarado pela Operação Santa Tereza.Ontem, Paulinho mostrou que, além de deputado federal, presidente do PDT paulista e presidente da Força Sindical, é jogador de futebol. De várzea. Trajando uniforme laranja, número 18, do Força Sindical Futebol Clube e alheio ao furacão que pousou sobre sua cabeça, ele e seu time foram até o campo do Aliança, no Jaçanã, periferia de São Paulo.Na sexta-feira, sob o turbilhão de perguntas de jornalistas, ele foi indagado se João Pedro de Moura era seu assessor. Paulinho foi categórico: "É ex-assessor, mas tem uma empresa de consultoria com contrato com a Força estadual."Moura não falou à Polícia Federal. Seu advogado, o criminalista Tales Castelo Branco, informou que ele vai dar suas explicações à Justiça dia 26. Marcos Mantovani, que está preso, não depôs e a reportagem não teve acesso a ele. José Gaspar, vice-presidente do PDT, não responde a ligações do Estado.Mais à vontade ontem, depois da vitória por 7 a 5 sobre o Vila do Sapo Futebol Clube, um dos times da comunidade de Jaçanã, Paulinho voltou a garantir que não tem nenhuma ligação com os desvios no BNDES. "Já fiz tudo que poderia ser feito para provar minha inocência, abri meu sigilo bancário, fiscal e telefônico e pedi que a Corregedoria da Câmara e, se for o caso, a Comissão de Ética me investiguem. Não tem mais o que eu fazer", declarou o meia-esquerda do Força."Continuo dizendo que isso é uma armação política por causa da questão eleitoral e da minha luta no Congresso."Em campo, faltou categoria - salvo algumas exceções -, mas gols, não. O time contou com o empurrãozinho do juiz "Loco", que ao final da partida revelou-se o massagista do Força Sindical. Mas faltou um gol da maior estrela da equipe, o deputado Paulinho, que garantiu não ser o "dono do time".O mais perto que ele chegou do gol foi em uma cobrança de falta próxima da grande área e quando bateu o escanteio do segundo gol do Força, convertido pelo ponta-esquerda Dodô.Depois de 80 minutos em campo, Paulinho, de 52 anos, que diz jogar futebol três vezes por semana, tirou as chuteiras.SUCESSÃO MUNICIPALUm dos nomes cotados como pré-candidato a prefeito de São Paulo pelo chamado "bloquinho" - formado por PDT, PSB, PC do B e PRB -, Paulinho afirmou que o escândalo não mudou seus planos. "A PF diz apenas Paulinho, e PA supostamente seria eu. Tenho certeza de que não sou eu", afirmou."Meu nome continua na disputa", garantiu o deputado. "Vamos ter que fazer pesquisa, mas ontem fui a uma assembléia de condutores com cerca de 3 mil pessoas e achei que os trabalhadores começam a entender que é uma armação. Quanto mais a imprensa fala, mais vai ficando clara a armação."

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