Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

J. R. Guzzo: Pré-apostas para 2022

Parece estar subindo uma onda de ceticismo quanto às possibilidades reais de que Lula e a esquerda aliada a ele consigam riscar Bolsonaro do futuro do Brasil

J. R. Guzzo, O Estado de S.Paulo

05 de fevereiro de 2020 | 16h13

Estaria a elite brasileira, mais uma vez, começando a ficar cansada do ex-presidente Lula  – e, sobretudo, desanimada com o seu futuro? Cansada de apanhar de Lula e do PT a elite certamente já está: disputou quatro eleições presidenciais seguidas contra ambos e conseguiu perder as quatro. Mas, como é típico das classes intelectuais associadas às classes milionárias no Brasil, voltaram a gostar dele depois de sua desgraça. Não se pode negar, dizem todos, o seu papel de “reformador social” - embora jamais tenha havido qualquer comprovação aritmética dessa teoria. 

De mais a mais, ele era o grande nome da “Resistência” para enfrentar Jair Bolsonaro, a direita, o fascismo, as ideias atrasadas, o retrocesso, as ameaças à democracia. “Melhor ele que Bolsonaro”, era e é o seu lema desde que o atual presidente explodiu no cenário político do Brasil. 

Ultimamente, porém, parece estar subindo uma onda de ceticismo quanto às possibilidades reais de que Lula e a esquerda aliada a ele consigam riscar Jair Bolsonaro do futuro do Brasil a começar pelas dúvidas legais a respeito de uma candidatura do ex-presidente em 2022. Como a elite liberal-moderna-civilizada-globalista-equilibrada não demonstra no momento nenhuma paixão pela possibilidade de perder uma quinta eleição seguida, já começam a entrar em circulação as suas pré-apostas em outros nomes para encarar Bolsonaro daqui a três anos. 

E aí, ao que parece, não está havendo muita fé em Lula ou em outro representante da classe proletária mesmo porque não há nenhum à vista. 

As preferências parecem estar em alguém que pertença ao “1% mais rico” do Brasil, seja conhecido pelo público, admirado por banqueiros milionários que dizem, aparentemente a sério, que são de “esquerda”, fale em “um mundo melhor para os pobres” e por aí afora. Não se pode mencionar nomes realmente seguros para eleições que estão a três anos de distância. Mas não dá para ir conversando sobre os possíveis modelos, pelo menos? Isso já dá.

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