Ministério da Economia
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J. R. Guzzo: entidades querem tirar proveito político em briga com Guedes

Organizações em guerra com o ministro não querem conciliação; querem é continuar com a disputa, enquanto der; enquanto se grita, o problema real fica intacto

J. R. Guzzo, O Estado de S.Paulo

12 de fevereiro de 2020 | 19h39

No meio de toda essa briga entre as entidades de funcionários públicos e o ministro Paulo Guedes perdeu-se de vista o essencial: a situação de demência aberta presente na relação que divide o Brasil, de um lado, e os funcionários da União, dos Estados e dos Municípios, do outro. Guedes já pediu desculpas por ter se referido aos funcionários como “parasitas” (a propósito: quantos milhões de brasileiros concordariam plenamente com o que ele disse?). Mas as diversas organizações que estão em guerra com o ministro não querem conciliação; querem é continuar com a disputa, enquanto der, para tirar o máximo proveito político disso para si e para seus patronos. Enquanto se grita, o problema real fica intacto.

O Brasil, como lembrou Paulo Guedes, tem no momento 12 milhões de funcionários públicos federais, estaduais e municipais – um número que não faz o menor sentido, por nenhum critério, para um país com as carências do Brasil. Mas há algo que faz menos sentido ainda: esse pessoal consome simplesmente 90% de tudo o que a população paga de impostos. Ou seja: o país praticamente só arrecada para cobrir os salários, benefícios, vantagens, aposentadorias e, nas castas mais altas, os privilégios de seus funcionários. Não há dinheiro que chegue; quanto mais o fisco toma do público, quanto mais as despesas com o funcionalismo aumentam. Conclusão: a conta não vai fechar nunca.

O total de impostos pagos hoje no Brasil é uma absoluta barbaridade. Até esta quarta-feira, 12, antes da metade do mês de fevereiro, já tinham sido arrecadados 350 bilhões de reais nos três níveis da administração – e, a continuar esse ritmo, o total vai passar, folgado, dos 3 trilhões até o final do ano. Disso tudo, apenas 10% vão sobrar para todas as demais despesas do governo, nas quais se incluirão uns trocados para o investimento público e uma miséria, positivamente, para os “menos favorecidos” que partem o coração de todos os chefes das entidades que falam pelos funcionários públicos. O Bolsa Família, que atende 13,5 milhões de famílias no Brasil inteiro, com menos de 190 reais por mês para cada uma, vai consumir 30 bilhões de reais, ao todo, em 2020. O funcionalismo vai embolsar quase 100 vezes esse valor.

Não existe nada mais brutal no mundo em matéria de concentração de renda.       

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