Alan Santos/Planalto
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J. R. Guzzo: Bolsonaro parece receber com satisfação cada vez maior as reprovações que recebe

Presidente foi o personagem central dos atos desde domingo: apertou mãos, tirou selfies e postou cenas de aglomerações em diversas cidades 

J. R. Guzzo, O Estado de S.Paulo

15 de março de 2020 | 19h42

O presidente Jair Bolsonaro foi, depois voltou e no fim acabou ficando numa espécie de meio do caminho – quer dizer, não foi, mas também não deixou de ir. Primeiro, resolveu apoiar os protestos de rua do dia 15, que foram trocando de pele à medida que o tempo passava. Eram, na origem, contra o Congresso e os políticos. Depois viraram a favor das reformas. No fim, após Bolsonaro agradecer à população, acabaram se transformando num ato em seu apoio – e o presidente achou muito natural, nos últimos dias, apoiar as manifestações que o apoiavam.

Entra, aí, o coronavírus. Fim das manifestações, reduzidas à rápidas carreatas e aglomerações de pequeno porte em todo o Brasil. Tudo bem - em nome da segurança, da prudência e dos esforços para evitar o contágio.

Tudo bem? Nem tanto, pois mais uma vez o personagem central de tudo foi o próprio Bolsonaro – e como acontece sempre que ele é o foco número um, dois e três das atenções, as coisas têm a tendência de se complicar.

O presidente, dois dias antes das manifestações, fez um apelo público para que fossem suspensas. Não recebeu nenhum elogio pelo que se poderia descrever como seu espírito público. Mas no dia ele não aguentou. Foi até os grupos que vieram cumprimentá-lo no palácio, apertou mãos, tirou selfies e postou cenas de aglomerações em diversas cidades, com palavras de apoio.

Pronto. Levou a pancadaria de sempre, por ter entrado em contato com o público quando, pelo que está sendo considerado a boa regra, deveria guardar isolamento até a confirmação do teste que fez há pouco, indicando que não tem o vírus.

A possibilidade de que Bolsonaro preste alguma atenção nestas críticas oscila entre o zero e o menos um. Ele vai continuar assim: parece receber com satisfação cada vez maior, na verdade, todas as reprovações que recebe, certo de que isso só faz reforçar o apoio, já muito forte, que tem do seu público. Enquanto continuar sendo o único assunto dos seus adversários, continuará sendo exatamente o presidente que é.

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