Antonio Milena/AE
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Ivan Valente diz que Eduardo Cunha está 'com medo' e quer intimidar PSOL

Após receber a notícia que PMDB vai entrar com representação no Conselho de Ética contra deputados do PSOL, Valente vê "desespero" de presidente da Câmara

Tulio Kruse, O Estado de S. Paulo

06 de março de 2015 | 18h42

São Paulo - Após receber a notícia de que o PMDB entrará com uma representação de quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética contra dois parlamentares de seu partido, o deputado Ivan Valente (PSOL-SP) classificou o movimento de "intimidação" e "desespero". 

Valente avalia que o presidente da Câmara está preocupado com os boatos de envolvimento do PMDB na Operação Lava Jato, e punindo o PSOL por ter pedido, na CPI da Petrobrás, a saída de deputados que receberam doações de empresas citadas nas investigações. "Na minha opinião, o deputado Eduardo Cunha deveria, se for citado na Operação Lava Jato, se afastar imediatamente da presidência da Câmara, ele está com medo que o PSOL peça isso," diz Valente.


A representação do PMDB, que foi anunciada nesta sexta-feira pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha, é motivada por um bate-boca que envolveu Valente e o presidente da CPI de Petrobrás, Hugo Motta (PMDB-PB), além do deputado Edmilson Rodrigues (PSOL-PA). Durante a segunda sessão da CPI, na quinta-feira,5, os dois deputados do PSOL levantaram de suas bancadas e foram até a mesa da presidência aos gritos e com dedos em riste, após Motta anunciar que nomearia quatro pessoas de sua confiança como subrelatores da comissão. Motta respondeu, aos berros, com pedidos de respeito.

Valente demonstrou surpresa ao receber a notícia de que seu nome seria incluído na representação, e disse não ter sido formalmente informado da ação. Criticou, no entanto, a posição de Cunha, que já opiniou no caso dizendo considerar que houve quebra de decoro parlamentar por parte do PSOL. "Isso é lamentável, ele na figura de presidente adiantar uma decisão do Conselho de Ética. Isso mostra como ele está perturbado com a fragilidade da sua situação depois das denúncias da Lava Jato."


O deputado diz que não se arrepende da confusão na CPI, e que não tem porque se preocupar com a representação no Conselho de Ética. "Eu não fiz nada, eu apenas fui lá reclamar sobre o corte do microfone e não ter dado o direito à palavra para mim," explicou. 

O PSOL ainda não sabe como vai reagir aos movimentos do PMDB, segundo o deputado. O partido está esperando a divulgação da lista com nomes de políticos acusados de envolvimento na Operação Lava Jato, que depende da liberação do ministro Teori Zavascki do Supremo Tribunal Federal, para tomar uma decisão. Valente diz que o partido deve se reunir durante o fim de semana para avaliar o caso.

Panfletagem. Na tarde desta sexta-feira, por volta das 13h, Ivan Valente estava na Rua São Bento com outros representantes do PSOL que discursavam, com microfone e caixa de som, contra a corrupção e a privatização da Petrobrás. Um dia depois de protagonizar o bate-boca no Congresso, ele dizia buscar contato com a população para "sentir o que o povo pensa", conforme ele explicou.

Em entrevista concedida ao Estado, ele se diz preocupado com os rumos da CPI da Petrobrás, da qual faz parte. Valente diz que haveria um "acordão" entre PMDB, PSDB e PT para para as nomeações de representação na investigação parlamentar. "Ontem (quinta) o acordão que foi feito lá envolvia o PMDB, o PSDB, e foram nomeadas as principais pessoas de confiança desses dois partidos para as relatorias, e a anuência do relator, que é do PT, que não protestou. Nós estamos receosos que algum tipo de acordo de coxia, algum tipo de pizza pode estar se armando."

 

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