Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Itu foi sede da convenção republicana

Reunião na casa de Almeida Prado, na cidade do interior paulista, culminou na Proclamação da República

José Maria Tomazela, enviado especial, O Estado de S.Paulo

16 Novembro 2017 | 05h00

ITU - Ao transferir para Itu a sede do governo federal nesta quarta-feira, 15 de novembro, o presidente Michel Temer (PMDB) resgatou um fato marcante da história política nacional. Em 18 de abril de 1873, 133 paulistas com ideias republicanas, entre eles os principais produtores de café, lavoura que fazia a riqueza da então província de São Paulo, se reuniram na casa de Carlos Vasconcelos de Almeida Prado, na cidade. Na reunião, foi aprovada uma assembleia que passaria a impulsionar o movimento que, em 15 de novembro de 1889, resultou na Proclamação da República.

O encontro ficou conhecido como Convenção Republicana de Itu e foi decisivo para despertar os ideais democráticos no País. “Para celebrar os 128 anos da República, decidimos voltar a Itu, cidade que deixou sua marca na história do movimento republicano. Foi precisamente aqui que mais de uma centena de brasileiros de convicção republicana se reuniram na famosa Convenção de Itu, movidos pelo propósito de fazer o Brasil entrar na modernidade”, disse Temer ontem, ao discursar em cerimônia. 

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O encontro resultou na criação do primeiro partido republicano organizado, em São Paulo, que logo depois se aliaria aos republicanos fluminense e mineiro, assim como aos militares e à Igreja Católica, num movimento que culminou na Proclamação da República. 

Museu. Michel Temer lembrou já ter visitado, quando vice-presidente, o sobrado onde se deu a convenção, no centro histórico da cidade. O local foi transformado no Museu Republicano de Itu, vinculado ao Museu Paulista da Universidade de São Paulo (USP). Muitos dos participantes da Convenção Republicana de Itu se tornaram figuras de expressão nacional, como Américo Brasiliense, Bernardino de Campos, Rangel Pestana, Antonio Francisco de Paula Souza e Manuel Ferraz de Campos Sales. 

Presente na solenidade, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), lembrou que a convenção de Itu deu origem ao jornal O Estado de S. Paulo. No dia 4 de janeiro de 1875, dois anos após o encontro em Itu, um grupo de republicanos liderados pelos convencionais Manoel Ferraz de Campos Salles e Américo Brasiliense decidiram criar um diário para combater a monarquia e a escravidão. 

O jornal A Província de São Paulo se tornaria O Estado de S. Paulo, após a proclamação da República. Na edição de 16 de novembro de 1889, o jornal estampou em toda sua primeira página apenas as palavras “Viva a República”.

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