Itaú prorroga inscrições para prêmio Escrevendo o Futuro

A Fundação Itaú prorrogou até o dia 9 de agosto o prazo de inscrição para as escolas e professores de Língua Portuguesa interessados em concorrer ao prêmio Escrevendo o Futuro. O concurso, em sua primeira edição, tem como objetivo incentivar o hábito da escrita e promover essa habilidade nos alunos da 4ª e 5ª séries das escolas públicas do Brasil. Os estudantes devem escrever sobre o tema "O lugar onde vivo? e poderão concorrer em uma de três categorias: texto de opinião, reportagem e poesia. A fundação investirá mais de R$ 2 milhões na realização do prêmio, que terá o resultado final em novembro.O grande diferencial desse concurso é o material de apoio didático distribuído para os professores inscritos. Os kits serão usados nas oficinas de produção de texto, etapa em que os professores trabalharão com os alunos na elaboração dos textos. Dessas oficinas, eles indicarão os melhores textos em cada categoria para concorrer ao prêmio. Nos kits há livros sobre as características dos textos de opinião, de reportagem e da poesia, além das orientações iniciais.Os livros são voltados para os professores, com sugestões de atividades. "O material produzido será útil não só para o prêmio, mas dá subsídios para as aulas. Queremos que o professor que vai fazer a oficina se sinta estimulado a usar o kit e a agregar novas iniciativas, com a comunidade local", explica Luiz Eduardo Carvalho Junqueira Machado, diretor da fundação. "Pela escrita, o jovem tem condição de se comunicar, colocar e disseminar suas idéias", completa ele.O grande vencedor ganhará um microcomputador Transglobe Slim, uma impressora Lexmark Z31, material escolar no valor total de R$ 2 mil e verba para custear despesas de curso preparatório para vestibular e para o curso superior até R$ 50 mil. O professor de Língua Portuguesa que trabalhou com esse aluno também ganhará o computador e a impressora, além de uma verba de até R$ 5 mil para realizar cursos extracurriculares. A escola do aluno vencedor levará também o micro, a impressora e livros novos para o biblioteca no valor de R$ 10 mil. O concurso tem apoio de várias entidades, como o Ministério da Educação (MEC), Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) e o canal Futura. A escola pode retirar a ficha de inscrição nas agências do banco Itaú, nas sedes das Undimes estaduais, ou se inscrever pela Internet (www.itau.com.br, www.cenpec.org.br e www.mec.gov.br). Depois de confirmada a inscrição, o kit que será usado nas oficinas de escrita é enviado ao professor.EtapasO prêmio é dividido em várias etapas. A primeira é a realização das oficinas. Ao fim delas, os alunos deverão ter produzido textos, cada um em apenas uma categoria, a ser escolhida pelo professor. A escola deverá formar uma comissão para avaliar os três melhores textos ? uma poesia, uma reportagem e um opinativo ? para concorrer na etapa seguinte, que é estadual. Nessa fase, a Undime estadual vai eleger os nove melhores trabalhos, três de cada modalidade. Se todas as 27 unidades da federação se inscreverem, haverá 243 trabalhos ao final dessa etapa para prosseguir no concurso. Esses textos serão apreciados por cinco comissões, cada uma em uma região do País. Todos os participantes dessa etapa receberão uma coletânea de livros. Os professores e alunos também viajarão até as capitais ? uma capital em cada região ? para integrar oficinas técnicas e interagir com outros vencedores da fase estadual. A viagem e as oficinas correrão por conta da fundação. Desses, serão selecionados os 15 melhores ? três de cada região. Um será o grande vencedor. Os outros 14 serão divididos. Três alunos - um em cada categoria - receberão computador, impressora, material escolar no valor de até R$ 1,5 mil e ajuda para cursinho para vestibular e universidade de até R$ 20 mil. Os 11 restantes, ganharão um computador e uma impressora, ajuda de até R$ 10 mil para cursinho e faculdade e até R$ 1 mil em material escolar.Os professores deverão registrar sua experiência nas oficinas. O material servirá de apoio para uma futura publicação da fundação, que trará as mais bem sucedidas experiências nas oficinas para a realização da segunda edição do prêmio, que acontecerá a cada dois anos.EstímuloOs livros que acompanham o kit do prêmio Escrevendo o Futuro têm objetivos maiores do que apenas ensinar aos alunos os primeiros fundamentos para se escrever um poema, uma reportagem ou um artigo de opinião, segundo a coordenadora técnica do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), Izabel Brunsizian, e a assistente pedagógica do Cenpec, Anna Helena Altenfelder.A entidade organizou a coletânea para os professores. O kit pretende ajudar os alunos a debater oralmente, a resolver diferenças pelo diálogo, fazendo com que o estudante aprenda a ouvir o outro e a resolver conflitos por meio do diálogo, e não da agressão, o que é muito comum entre crianças.O debate oral é feito antes de se começar a parte escrita, como forma de ajudar o aluno a desenvolver vocabulário e argumentação lógica, fundamentais para o texto. Essa foi uma das formas encontradas pelos organizadores para suprir uma deficiência comum entre as crianças ? a falta de vocabulário. Em algumas oficinas, inclusive, são sugeridas expressões para serem usadas nos textos. O professor trabalha como mediador nos debates, ajudando na argumentação e com as palavras, mas orientado a não tomar parti do por um ou outro aluno ou grupo."Da interação entre professor e aluno, dessa conversa direcionada, e do diálogo entre os próprios alunos, pois uma criança tem experiências diferentes da outra, vamos trabalhando vocabulário, argumentação", diz Anna. Izabel acrescenta que outros elementos que ajudam a criança a adquirir vocabulário são os textos que os professores podem ler para os alunos e que constam nos livros do kit.Há outras sugestões de atividades, como entrevistas com pessoas do lugar onde a criança mora, convite a poetas para falar com os estudantes, entre outras diversas, que englobam outros setores da sociedade no processo. "A ampliação desses contatos dá mais vocabulário para a criança, ela não acontece apenas pela leitura", diz Izabel. "A idéia é que o material dê instrumentos para o professor para que os alunos possam trabalhar textos, pensado em mais ou menos, 10 oficinas. O professor pode ampliar, fazer algumas sugestões, ele tem toda uma autonomia de atuação", explica Anna. Os livros, inclusive, podem ser usados pelos professores de outras séries, que não estão participando do concurso. O objetivo das oficinas é mostrar para a criança como os textos são organizados formalmente, ou seja, elas vão estudar os gêneros propostos - suas estruturas, características e como escrever para cada um deles ? a partir do tema proposto. "Cada edição do prêmio deverá incentivar um gênero diferente", explica Izabel. Os gêneros escolhidos para essa primeira edição foram adotados porque, na avaliação da equipe do Cenpec, teriam mais afinidade com o tema proposto e também para fugir do gênero narrativo, que normalmente é mais estudado pelos alunos na escola. Uma preocupação das organizadoras dos kits é que as escolas, de uma maneira geral, trabalham prioritariamente a alfabetização das crianças até a 4ª série, como se apenas isso garantisse a elas escrever um texto em qualquer gênero. "As pesquisas mais recentes mostram que é preciso aprender a escrever, ou seja, a ter coesão, concluir a idéia, organizar o parágrafo, como é que se começa o teto", destaca Anna."A maioria chega na universidade com dificuldade de colocar no papel suas idéias, mas isso tem de ser ensinado para a criança". A escrita é um meio de exercer a cidadania, tem uma função social, não deve ser aprendida apenas para se fazer as lições da escola", afirma.O Cenpe, dirigida e presidida por Maria Alice Setúbal, é uma organização não governamental que defende o direito a educação com qualidade para todos. Foi criada em 1987 e reúne uma equipe com mais de 70 especialistas em educação para propor e executar estudos e pesquisas, desenvolver projetos e ações, em parceria com órgãos governamentais, fundações empresariais e empresas, instituições internacionais e outras ONGs. Priorizam projetos para formação de agentes educacionais, produção de apoio à ação educativa e avaliação de projetos e políticas para a área. PatrimônioA Fundação Itaú Social tem um patrimônio próprio de R$ 182 milhões e, com o investimento desses recursos, gera receita para apoiar os programas sociais. Já investiu mais de R$ 80 milhões na implantação e suporte a cerca de 600 deles. Este ano, deverá investir mais de R$ 13 milhões no desenvolvimento e apoio a projetos sociais. No ano passado, foram investidos cerca de R$ 14 milhões. A instituição foi resultado do Programa de Apoio Comunitário (Proac), criado em 1993 pelo banco Itaú. Nessa época, o banco já traçou a estratégia de investir nas áreas de saúde e educação, prioritariamente ensino básico, e em programas voltados para famílias de baixa renda. "Resolvemos trabalhar em parceria com quem já atua nas áreas, juntamos a experiência do banco em administração e gestão com a experiência técnica das organizações não governamentais", diz Luiz Eduardo Carvalho Junqueira Machado, diretor da fundação. Também foi determinado que o investimento seria feito em programas, projetos não pontuais, pois a instituição quer que as ONGs desenvolvam meios próprios de sustentação.Os programas que a fundação suporta abrange dois grupos, as ONGs e o público beneficiado pelas atividades, como os estudantes e professores, no caso dos projetos da área de educação. Entre seus principais parceiros nesse setor estão o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), o Centro de Estudos e Pesquisas em Educação (Cenpec) e a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime). Já em saúde são o Instituto para o Desenvolvimento da Saúde (IDS) e a Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP).A fundação desenvolveu seis projetos, de acordo com o balanço social 2001 do Itaú. O programa Educação e Participação, voltado para ONGs, já atingiu 12 mil educadores e 175 mil crianças e adolescentes, de 1995 a 2001, por intermédio de 1.200 ONGs. Desse projeto saíram várias iniciativas, como o Prêmio Itaú-Unicef 2001, que teve 686 programas inscritos, 30 finalistas, quatro programas premiados, um destaque especial e dez menções honrosas concedidos pelo júri. Esses 30 finalistas receberam apoio técnico e financeiro da fundação, pelo Programa Parcerias. No projeto Melhoria da Educação no Município, 40 mil professores e 1 milhão de alunos foram envolvidos, até 2001. Desde 1999, o programa capacitou 1.240 multiplicadores, em cerca de 600 cidades brasileiras. Ele reúne ONGs e órgãos governamentais para que as questões educacionais possam ser encaminhadas com mais legitimidade às instituições.Um dos pioneiros foi o projeto Raízes e Asas, que distribuiu 50 mil kits a escolas de todas as regiões do Brasil, por meio de parceria com secretarias estaduais e municipais de Educação. Os kits falam de experiências bem sucedidas em escolas diferentes n a melhoria de seu desempenho, com uso de recursos próprios e propostas inovadoras e participação da comunidade.A fundação também distribuiu 3 mil kits do projeto Saúde Cidadania para os principais municípios do País. Ele busca a capacitação e aperfeiçoamento de gestores municipais de serviços de saúde. Além disso, a instituição apoiou mais seis iniciativas de outros parceiros: os programas Alfabetização Solidária; Capacitação Solidária, para jovens de baixa renda; patrocínio para o canal Futura, voltado para difusão do conhecimento; Pedagógico Comunitário, que atua na Baixada Santista por meio de aulas de computação, monitoria de monumentos históricos, entre outras ações; Capacitação Docente e Gestão Educacional e apoio a eventos diversos ligados ao terceiro setor.

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