Itaú confirma denúncias contra Jader

O Banco Itaú confirmou à comissão de investigação do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado que aplicações financeiras feitas pelo presidente licenciado da Casa, Jader Barbalho (PMDB-PA), foram complementadas com cheques administrativos do Banco do Estado do Pará (Banpará). Em pelo menos quatro operações aparecem cheques pessoais do senador, emitidos quando era governador do Pará. A confirmação das aplicações será o principal item do relatório que será apresentado pelos senadores ao Conselho, quando será recomendada a abertura de processo por quebra de decoro contra o senador paraense. A informação, levantada pela comissão com ajuda de técnicos do Banco Central (BC), praticamente derruba a tese de Jader, que negou em depoimento, há 13 dias, ter utilizado dinheiro do Banpará nas transações. O presidente interino do conselho, Geraldo Althoff (PFL-SC), está disposto a marcar uma sessão ainda esta semana para votar o relatório, que deve ser aprovado. O grupo de senadores que está convencido de que Jader está envolvido na fraude, no entanto, terá de vencer obstáculos, já que o PMDB prometeu comandar manobras para adiar a aprovação do parecer. O senador João Alberto Souza (PMDB-MA), um dos três integrantes da comissão, anunciou que deverá apresentar um voto em separado, porque é contrário à tese de que Jader mentiu. Aliado do senador paraense, ele informou ainda que vai pedir um período de 48 horas para analisar as conclusões de seus dois outros colegas - Romeu Tuma (PFL-SP) e Jefferson Péres (PDT-AM) - para, depois, encaminhar o seu voto. Se conseguir o prazo, haverá atraso na entrega do relatório. As aplicações de Jader no Itaú já tinham sido reveladas em 1992 pelo inspetor do Banco Central Abrahão Patruni Junior. Mas Jader questionou especialmente uma delas durante seu depoimento, feito no dia 29 de agosto, que até hoje não foi assinado por ele. Na operação aparece uma complementação de Cr$ 93 mil (R$ 141,22) feita pelo presidente licenciado da Casa, um depósito em cheque administrativo de Cr$ 50 milhões (R$ 75,9 mil) do Banpará, e um pagamento em dinheiro de Cr$ 87,00 (R$ 0,13). O senador questionou o aparecimento do pequeno resíduo, mas o Itaú, onde foi feita a transação, confirmou aos senadores a existência da operação.Além de explicar detalhadamente esta aplicação, o relatório relaciona e detalha outras operações, sempre envolvendo cheques pessoais de Jader e cheques administrativos do Banpará. Além disso, mostra como foi feita uma transferência de R$ 300 mil do banco Itaú para o Citibank, também pelo senador. Os integrantes da comissão de investigação ainda aguardam um documento do Banco Central para comprovar que o presidente licenciado do Senado sabia, ao contrário do que tinha afirmado, que seu nome estava incluído no texto de Patruni. O relatório da comissão terá cerca de 50 páginas, dividido em quatro partes - explicações preliminares, apuração dos fatos, confronto das provas e as conclusões - e incluirá, ainda, um relato sobre a fita em que Jader foi acusado de recebimento de propinas para liberação de recursos da extinta Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), e que se provou falsa. Além disso, será complementado com um relato sobre a Fazenda Campo Maior, que Jader comprou do empresário José Osmar Borges - acusado de ser um dos maiores fraudadores da Sudam - mas não declarou no Imposto de Renda de pessoa jurídica, como havia afirmado na tribuna do Senado. Os senadores também vão relatar as ameaças veladas de Jader, feitas durante seu depoimento, no dia 29 de agosto, quando disse que outros senadores poderiam ser alvos de acusações anteriores aos mandatos, citando Tuma, quando era diretor da Polícia Federal e José Sarney (PMDB-AP), quando presidente da República. A acusação de que Jader teria retardado o encaminhamento de um ofício do senador José Eduardo Dutra (PT-SE) pedindo informações sobre os desvios no Banpará figurará apenas como complemento do relatório. O documento não irá especificar penas, mas apenas os crimes políticos que o presidente licenciado do Senado teria cometido, como a falta de decoro decorrente de um crime grave.

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