Itamaraty também terá cota para negros

O Instituto Rio Branco, responsável pela formação dos diplomatas brasileiros, é o novo alvo das ações afirmativas do governo em benefício da população negra e parda.O presidente Fernando Henrique Cardoso anunciou, nesta quarta-feira, que serão concedidas, no ano que vem, bolsas de estudo a 20 afro-descendentes.O objetivo é dar condições aos beneficiados para que se preparem para o concurso de ingresso no Rio Branco, um dos mais difíceis e disputados do País.?Precisamos ter um conjunto de diplomatas, temos poucos, que sejam um reflexo da nossa sociedade?, disse o presidente.Segundo ele, o Brasil é uma ?sociedade multicolorida e não tem cabimento que ela se apresente pelo mundo afora como se fosse uma sociedade branca, porque que não é?.Segundo o presidente, caberá aos interessados dizerem se são afro-descendentes no momento da inscrição, sem a necessidade de comprovarem a característica racial.Fernando Henrique participou de solenidade em que foi assinada portaria do Ministério da Justiça que institui cotas mínimas de contratação de servidores negros, mulheres e deficientes físicos e mentais no âmbito do ministério.De acordo com a portaria, entre 20% e 45% das vagas em cargos de direção e assessoramento especial deverão ser preenchidos por negros ou pardos (20%), mulheres (20%) e deficientes (5%) até o fim de 2002.O mesmo valerá para empresas contratadas para prestar serviços, como os de limpeza ou segurança e até organizações não-governamentais que assinem convênios com o Ministério da Justiça.O Ministério do Desenvolvimento Agrário já adotou medida semelhante, e a idéia é levar a iniciativa para todo o governo.O presidente defendeu as ações afirmativas. ?É inegável que algumas ações especiais têm que ser tomadas, para que, na questão de gênero, de raça, haja um movimento efetivo de uma maior igualdade?, disse Fernando Henrique, condenando a escravidão em vigor no Brasil até o século 19.?Sabemos o quanto os negros sofreram com esse crime e quanto suas conseqüências se fazem sentir ainda hoje sobre seus descendentes, em manifestações discriminatórias e racistas?, afirmou Fernando Henrique.

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