CHARLES SHOLL/FUTURA PRESS
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Itamaraty suspende diárias por conta de 'excessiva desvalorização do real'

Troca de mensagens obtida pelo Estado escancara que a crise financeira não tem poupado nem o pagamento de servidores que assessoram diretamente Dilma em compromissos de trabalho mundo afora

Rafael Moraes Moura, O Estado de S. Paulo

07 de agosto de 2015 | 23h13

Brasília - Com o agravamento da crise política levando o dólar a ultrapassar a marca de R$ 3,50, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) decidiu suspender o pagamento de diárias a servidores do Palácio do Planalto devido à "excessiva desvalorização do real frente ao dólar", conforme e-mail de circulação interna obtido pelo Estado. 

Em abril, a reportagem já havia apontado atrasos no pagamento de diárias, com servidores recebendo o pagamento até quatro meses depois de viagens internacionais da presidente Dilma Rousseff. Agora, com a desvalorização cambial, a situação piorou. Os constantes atrasos no pagamento levaram a equipe que assessora a presidente encher malas com biscoitos e macarrão instantâneo para poupar gastos durante o tour de Dilma no exterior.

"Tendo em vista a excessiva desvalorização do real frente ao dólar, informo que foi suspenso o pagamento previamente agendado para a próxima segunda-feira, dia 10/08", escreveu o secretário Éderson Luís Trevisan, da Divisão de Pagamentos do MRE. O pagamento em questão diz respeito à viagem da presidente à Cidade do Panamá, em 10 de abril, para participar da Cúpula das Américas.

Em e-mail anterior, o MRE havia informado que não poderia efetuar o pagamento no último 7 de agosto porque "o Banco do Brasil alertou que não há divisas suficientes para o pagamento". "Viajar com Dilma virou um inferno", desabafou um servidor, que solicitou anonimato.

A troca de mensagens obtida pelo Estado escancara que a crise financeira não tem poupado nem o pagamento de servidores que assessoram diretamente Dilma em compromissos de trabalho mundo afora. 

Rotina. Em resposta à reportagem, o Itamaraty alegou que o pagamento teve de ser suspenso até que "se possa obter novo provisionamento da setorial orçamentária" e minimizou o episódio, tratando-o como "questão rotineira relativa a fluxo de pagamentos".

De acordo com o Itamaraty, a referência à "desvalorização excessiva" foi feita sem haver "qualquer juízo de valor a respeito da cotação do real frente ao dólar, que foge a competência da Divisão de Pagamentos". No momento da elaboração do Projeto de Lei Orçamentária, o câmbio utilizado foi de R$ 2,40, destaca o Itamaraty.

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