Itamaraty se declara satisfeito com envio de missão a Darfur

O governo brasileiro declarou-se nesta quarta-feira satisfeito com a decisão do Conselho de Direitos Humanos de enviar uma missão a Darfur para avaliar "a real situação" do Sudão e assegurou que teve um papel importante para se alcançar esse consenso. Nos últimos dias, entretanto, o Brasil resistiu às evidências apresentadas pelo alto-comissariado sobre o envolvimento do governo sudanês nos massacres, torturas e prisões arbitrárias de civis ocorridos desde 2003. Os negociadores brasileiros chegaram a pregar a "neutralidade" e a defender que, em vez de apontar culpados, melhor opção seria a ajuda às autoridades do Sudão para lidar com os conflitos locais. Em nota divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores, o governo preferiu amenizar seu papel escorregadio em relação à maior crise humanitária da atualidade, que vitimou cerca de 200 mil pessoas. O texto informa que o Brasil co-patrocinou a convocação da sessão do conselho que avaliou o caso do Sudão. Insiste ainda que o País advogou a "prevalência do diálogo e o reforço da promoção e da proteção dos diretos humanos", assim como impediu a "seletividade e a politização" das decisões, como acontecia frequentemente no organismo que antecedeu o conselho, a Comissão de Direitos Humanos. "A atuação do governo brasileiro contribuiu para aproximar posições, o que permitiu que a resolução fosse adotada por consenso, fortalecendo a autoridade do Conselho e criando condições para uma efetiva melhoria em Darfur", defendeu o Itamaraty.

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