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Itamaraty reclama com Venezuela sobre falta de aviso de visita de ministro ao Brasil

Elías Jaua utilizou seu tempo no País para assinar um convênio com o Movimento Sem Terra (MST), além de outras ações relativas a seu cargo de ministro

Lisandra Paraguassu, O Estado de S. Paulo

05 de novembro de 2014 | 16h39

 Brasília - O ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, chamou nesta quarta-feira, 5, o encarregado de negócios da Venezuela, Reinaldo Segóvia, para manifestar a insatisfação do governo brasileiro com as atividades do vice-presidente e ministro para o Poder Popular das Comunas e Desenvolvimento Social, Elías Jaua, no Brasil. Figueiredo afirmou a Segóvia que o governo brasileiro viu com "estranheza" o fato de Jaua ter vindo ao País sem informar e ter tido uma agenda de trabalho, inclusive com assinatura de acordos, e que isso poderia significar uma "interferência nos assuntos internos do País. Figueiredo cobrou explicações do governo venezuelano.

De acordo com o ministro, o diplomata foi informado de que o Brasil considera que "o fato não se coaduna com o excelente nível das relações entre os dois países". A decisão de chamar o representante diplomático da Venezuela - o embaixador está viajando - foi conversada com a presidente Dilma Rousseff depois de ter virado notícia do fato de Jaua ter usado seu tempo no Brasil, em que teoricamente estaria acompanhando a mulher em um tratamento médico, para assinar um convênio com o Movimento Sem Terra (MST), além de outras ações relativas a seu cargo de ministro.

Como mostrou o Estado, a visita silenciosa de Jaua, que não informou o Itamaraty sobre a sua viagem, causou mal estar no governo brasileiro. Apesar de não ser obrigatório no caso de uma visita particular, seria de praxe um aviso. No caso do ministro venezuelano, que ainda fez algumas atividades de trabalho, a situação ficou ainda pior.

Na terça, a Comissão de Relações Exteriores do Senado aprovou um convite para que Figueiredo dê explicações sobre a passagem do venezuelano pelo Brasil.

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