Itamaraty muda classificação de seus postos no exterior

O Ministério das Relações Exteriores decidiu atribuir novas qualificações a boa parte dos seus 183 postos no exterior. Às três categorias anteriores - A, B e C -, foi adicionada a D, atribuída aos locais que oferecem as piores condições de vida ou os maiores riscos para os diplomatas e suas famílias.A nova gradação, porém, não define a relevância do posto em relação à política externa do governo Lula. Na categoria D, há um punhado de países que estão no centro da Cooperação Sul-Sul, como Haiti, Timor Leste e os vizinhos Suriname, Guiana, Guiana Francesa, além de boa parte das nações africanas. Nessa reacomodação de postos, a Embaixada do Brasil em Buenos Aires retomou a categoria A, que perdera há cerca de quatro anos. Mas todos os consulados-gerais passaram para a qualificação B, mesmo os do "circuito Elizabeth Arden": Paris, Nova York e Londres. Publicada no último dia 17 no Diário Oficial da União, a portaria que trouxe essas mudanças adequou os postos no exterior à lei que redefiniu critérios da carreira diplomática conforme os propósitos da política externa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Aprovada no fim de 2006, a nova lei diminuiu de quatro para três anos o tempo mínimo que cada diplomata tem de passar em cada degrau da hierarquia - terceiro, segundo e primeiro secretário, conselheiro, ministro de segunda classe e ministro de primeira classe (embaixador). Mas foram concedidos mais abatimentos nessa contagem para os diplomatas designados aos postos das categorias C e D. Nos postos C, o tempo de permanência será contado em dobro. Nos postos D, em triplo, mas apenas depois de completado o primeiro ano de serviço no local.Pela nova lei, todo diplomata passa a ser obrigado a servir, em algum momento da carreira, em postos C ou D. Mas, como recompensa, seguirá depois para os postos A, a categoria reservada às embaixadas brasileiras na Europa Ocidental e nos Estados Unidos. Apesar dos riscos e da menor qualidade de vida, os postos C e D não estão isolados das prioridades da política externa do governo Lula. Ao contrário, a maioria dos países da América do Sul e da África está classificada como C. São os casos das embaixadas na Bolívia, no Paraguai, no Equador, no Peru, na Colômbia, na Venezuela, em Cuba e em países africanos, como Angola, Moçambique e Botsuana. As embaixadas no Chile e no Uruguai continuaram como postos B. Além do Suriname e da Guiana, passarão a ser classificados como postos D a embaixada na Nigéria, um dos maiores fornecedores de petróleo para o Brasil, e na Palestina, entre outros.

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