Itamaraty monta operação de guerra para cúpulas na Bahia

Operação de segurança envolve mais de 3 mil homens; eventos na Costa do Sauípe terão início na segunda

Tiago Décimo, de O Estado de S. Paulo,

13 de dezembro de 2008 | 14h29

O casal de espanhóis Miguel e Anna Maria Mesa deixou, na manhã deste sábado, 13, a Costa do Sauípe, complexo hoteleiro localizado no litoral norte baiano, a cerca de 100 quilômetros do centro da capital baiana, que vai receber, nesta semana, quatro cúpulas de chefes de Estado latino-americanos. Os dois ficaram impressionados com o que viram ao longo dos últimos dias. "No domingo, quando chegamos, estava tudo como a gente imaginava, calmo, tranqüilo", diz Miguel. "Mas dia após dia começaram a chegar pessoas, equipamentos, toldos, helicópteros. Hoje, parece local de batalha."   Exageros à parte, a paisagem no litoral norte baiano está realmente mudada para receber os 34 chefes de Estado esperados para os eventos. As equipes do Ministério das Relações Exteriores, que cuidam do cerimonial, e as de segurança, que envolvem mais de 3 mil homens, entre eles 2.226 militares, policiais federais, civis e militares, bombeiros, além dos agentes pessoais dos governantes, já estão na área, organizando os últimos detalhes.   Pela Linha Verde, estrada que dá acesso ao complexo, o trânsito de caminhões e ônibus já é intenso. Desde hoje, até os turistas hospedados nos cinco hotéis e seis pousadas da Costa do Sauípe precisam estar credenciados para chegar ao local. Os moradores das vilas próximas já foram instruídos a não ultrapassarem linhas imaginárias estabelecidas ao redor do complexo, até o próximo sábado. O espaço aéreo na região está sendo especialmente controlado, por radares e helicópteros militares.   "Tomamos todas as providências para garantir a segurança não só dos governantes, mas também da população", afirma o chefe de gabinete do governo baiano, Fernando Schmidt. "Estamos preparados para fazer um evento grandioso, inesquecível."   Os encontros na Costa do Sauípe começam na segunda-feira, com quatro eventos agendados: o Foro Consultivo de Governadores e Prefeitos do Mercosul e as reuniões de ministros de Relações Exteriores, de Economia e Desenvolvimento e de presidentes de Bancos Centrais dos países da região. Todos esses eventos são preparatórios para as cúpulas.   Na terça-feira começa o evento mais aguardado, a 1.ª Cúpula da América Latina e do Caribe sobre Integração e Desenvolvimento (Calc), que segue até quarta e é anunciada como o maior encontro de chefes de Estado latino-americanos já realizado. Na pauta, discussões sobre quatro crises mundiais: alimentar, energética, climática e financeira.   Também no dia 16, serão realizados, concomitantemente, as outras três cúpulas: a 36.ª do Mercado Comum do Cone Sul (Mercosul) e as Extraordinárias da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) e do Grupo do Rio. Nesta última, a principal pauta é a reinserção de Cuba, afastada desde a década de 1960, ao grupo. O presidente Raúl Castro estará presente, em escala de sua primeira viagem internacional como chefe de Estado.   No caso da reunião da Unasul, a pauta está focada na crise econômica mundial. O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, e o presidente da Assembléia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Miguel d'Escoto, têm presença confirmada.   Salvador   Enquanto os chefes de Estado reúnem-se na Costa do Sauípe, ministros, secretários de Estado, governadores e sindicalistas dos países latino-americanos participam de cinco outros encontros e fóruns na capital baiana. A programação teve início ontem (sexta-feira), com o primeiro dia do Encontro de Dirigentes de Cultura da América do Sul. "Esse encontro tem como finalidade fortalecer a cultura do Mercosul", afirma o anfitrião, o secretário da Cultura da Bahia, Marcio Meirelles. "É preciso criar programas de financiamento de bens culturais e trocar experiências."   Neste sábado, têm início a Cúpula dos Povos Latino-Americanos e a Cúpula Social do Mercosul, que reúnem representantes de organizações da sociedade civil e governos dos países do bloco com as pautas políticas sociais, produtivas e ambientais para o Mercosul.   Na segunda, terão início a Cúpula Sindical da América Latina (Encontro das Centrais Sindicais), em torno do tema Integração Produtiva e Trabalho Decente - que culminará com uma marcha até a Praça Municipal, em Salvador - e o Encontro dos Partidos de Esquerda do Cone Sul.   Para concluir os eventos, na noite de quarta-feira, será realizado, no Teatro Castro Alves, na capital, o espetáculo musical Canto Geral - Um Concerto para a América Latina. Os chefes de Estado e autoridades participantes das cúpulas e encontros serão a platéia do show, que terá as participações de artistas da Venezuela (Cecília Todd), do Peru (Suzana Baca), da Argentina (Mercedes Sosa) e da Bahia (Carlinhos Brown e Orquestra Juvenil 2 de Julho).

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