Joshua Roberts/Reuters
Joshua Roberts/Reuters

EUA dão aval para indicação de Eduardo Bolsonaro a embaixador em Washington

Presidente deve formalizar decisão no Diário Oficial da União (DOU) e encaminhar o nome ao Senado

Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

09 de agosto de 2019 | 08h33
Atualizado 09 de agosto de 2019 | 14h32

BRASÍLIA - O Ministério das Relações Exteriores recebeu o aval oficial dos Estados Unidos para que o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente Jair Bolsonaro, seja embaixador do Brasil em Washington. A assessoria do Itamaraty confirmou que o ministério recebeu a resposta dos EUA ao chamado pedido de 'agrément' do governo brasileiro.

Agora, o presidente Jair Bolsonaro poderá formalizar a indicação no Diário Oficial da União (DOU) e encaminhar o nome ao Senado, que precisa aprovar Eduardo Bolsonaro para a embaixada. Bolsonaro já disse que só estava esperando a resposta dos Estados Unidos para encaminhar o nome do filho ao senadores.

Eduardo passará por sabatina na Comissão de Relações Exteriores do Senado e precisa seu nome aprovado em votação secreta no colegiado e no plenário da Casa. Só então é que poderá ser oficialmente designado para assumir a representação diplomática. 

'Nova relação bilateral'

Em nota enviada à imprensa nesta sexta, Eduardo Bolsonaro afirmou que recebeu a notícia com sentimentos de alegria, orgulho e humildade. "O sinal verde dos Estados Unidos da América, portanto, é motivo de orgulho para mim, ao confirmar o apoio e a confiança já expressas de viva voz pelo Presidente Donald Trump na minha capacidade de ser um representante do Brasil à altura do desafio de construir uma nova relação bilateral", diz o documento.

Ele afirmou que pretende trabalhar para aprofundar a cooperação, promover a segurança, a prosperidade e o bem-estar de brasileiros e norte-americanos. "Caberá ao Senado Federal dar a palavra final e, se meu nome for aprovado, haverá um intenso e árduo trabalho a ser realizado. Tenho consciência de que meu êxito dependerá, sobretudo, da colaboração e do diálogo estreito com o legislativo, os diversos ministérios e as forças vivas da sociedade, notoriamente a comunidade brasileira nos Estados Unidos da América". 

Bolsonaro diz que não tem pressa para indicar Eduardo como embaixador

Mais cedo, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que não tem pressa em encaminhar ao Senado a indicação para a embaixada brasileira em Washington. Ao deixar o Alvorada, ele relatou que recebeu a resposta oficial dos Estados Unidos dando aval à indicação por meio de uma carta escrita de próprio punho pelo presidente norte-americano, Donald Trump.

Bolsonaro reforçou ainda que o filho vai precisar demonstrar conhecimento no Senado. "Se não mostrar conhecimento, reprova", declarou. Ele reforçou ainda que o deputado é "muito bem relacionado" entre os senadores, após ser questionado que argumentos o governo vai usar para aprovar a indicação.

indicação de Eduardo como embaixador do Brasil nos Estados Unidos pode quebrar uma tradição dentro do Itamaraty, desde a redemocratização, de ter na embaixada em Washington sempre um diplomata de carreira. Em entrevistas ao Estado, dois ex-ocupantes do cargo criticaram a nomeação. O ex-ministro da Fazenda Rubens Ricupero disse que não havia “precedentes em países civilizados”, enquanto o também ex-ministro Marcílio Marques Moreira disse esperar que a nomeação “fosse repensada”.  / COLABORARAM JULIA LINDNER e EDUARDO RODRIGUES

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.