Itamaraty cria bolsas para preparar negros à carreira diplomática

Um dia após o lançamento da segunda versão do Programa Nacional de Direitos Humanos, que prevê ações afirmativas para minorias, o Itamaraty criou 20 "bolsas-prêmio de vocação para a diplomacia" para ajudar candidatos afro-descendentes a se prepararem para o concurso do Instituto Rio Branco. As inscrições para as bolsas se encerram no dia 20 de junho. O governo gastará R$ 350 mil com cursos preparatórios e fará a seleção com base no histórico escolar e entrevista. Para disputar uma das vagas, o candidato precisa ser brasileiro, estar em dia com o serviço militar e as obrigações eleitorais, além de ter concluído curso superior ou estar no último ano. O ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, explicou que o objetivo é "aumentar a igualdade de oportunidades no acesso à carreira diplomática" e acabar com a exclusão prévia de candidatos que não tiveram a formação adequada para o concurso porque eram pobres ou vítimas da discriminação racial. Lafer concorda com o presidente Fernando Henrique Cardoso que não tem cabimento o Brasil se apresentar pelo mundo afora como se fosse uma sociedade branca. "A sociedade brasileira é multicolorida."Segundo Lafer, no futuro outras minorias poderão receber atenção especial. Candidatos da comunidade indígena poderão contar com o apoio voluntário de diplomatas, que os orientarão e fornecerão material bibliográfico. As jovens mulheres diplomatas serão estimuladas a divulgar a carreira a potenciais candidatas. "Entendemos que as mulheres estão ainda sub-representadas no Itamaraty", observou o ministro, dizendo esperar que a democracia brasileira alcance um grau em que ações afirmativas, hoje urgentes, passem a ser desnecessárias.

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