Itamaraty: brasileiro acusado de matar surinamês está foragido

De acordo com nota emitida pela embaixada em Paramaribo, não houve comprovação de mortes

estadao.com.br,

27 de dezembro de 2009 | 22h41

A embaixada do Brasil em Paramaribo divulgou nota na noite deste domingo, 27, em que esclarece sobre o incidente ocorrido em Albina na noite da última quinta-feira, 24, no qual cidadãos brasileiros foram atacados. De acordo com o texto, "o brasileiro acusado de haver assassinado um surinamês - fato que teria precipitado o conflito - encontra-se foragido, provavelmente na Guiana Francesa. Informou que 22 surinameses suspeitos de haverem participado do ataque encontravam-se detidos, e que há vários nomes sendo investigados". Ainda de acordo com a nota, nenhum brasileiro foi encontrado morto.

 

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Leia abaixo a íntegra do texto:

 

"EMBAIXADA DO BRASIL EM PARAMARIBO

 

A Embaixada do Brasil em Paramaribo, com o propósito de obter informações mais concretas sobre o incidente ocorrido em Albina na noite de 24 de dezembro de 2009, no qual cidadãos brasileiros foram atacados, realizou hoje, dia 27, missão àquela localidade.

 

Integraram a missão, do lado brasileiro, o Embaixador do Brasil, o Adido Militar e funcionários da Adidância Policial e do Setor Consular da Embaixada. Do lado surinamês, participou o Embaixador Robby Ramlakhan, que ocupa o terceiro posto na hierarquia do Ministério da Relações Exteriores do Suriname. A missão contou, em tempo integral, com escolta da Polícia Militar e da Polícia Civil do Suriname.

 

Em Albina, a missão foi recebida pelo Inspetor Chefe do Distrito, que expôs as providências ora em curso para apurar o ocorrido e identificar responsáveis. Segundo ele, o brasileiro acusado de haver assassinado um surinamês, fato que teria precipitado o conflito, ainda encontra-se foragido, provavelmente na Guiana Francesa. Informou que 22 surinameses suspeitos de haverem participado do ataque encontravam-se detidos, e que há vários nomes sendo investigados.

 

O Embaixador do Brasil conversou com cinco brasileiros que se encontravam, a pedido deles próprios, sob proteção da polícia. Dentre eles, a senhora Denicléa Furtado Teixeira, ferida com gravidade nas mãos e que recebeu tratamento em Saint-Laurent du Maroni, na Guiana Francesa. A senhora Teixeira, que estava grávida de três meses, veio a perder a criança em função do trauma emocional sofrido. Ela agora passa bem e está sendo transladada para Paramaribo, juntamente com os outros quatro brasileiros.

 

Não houve comprovação de mortes de brasileiros. As declarações dos nacionais ouvidos em Albina coincidiram com as dos brasileiros que se encontram em Paramaribo, no sentido de que não testemunharam nenhum assassinato de brasileiro. A maioria dos relatos se referia à violência das agressões e à brutalidade do ataque, mas sem qualquer menção a mortes.

 

A missão verificou também que, além das agressões a brasileiros, foram saqueados e incendiados diversos estabelecimentos comerciais, muitos deles de propriedade de chineses e javaneses. Vários automóveis e caminhões também foram incendiados.

 

São quatro no momento os brasileiros feridos com gravidade que permanecem internados em hospitais em Paramaribo. Consultados pela Embaixada, nenhum deles manifestou interesse em retornar ao Brasil.

 

Dos 81 nacionais que se encontravam na capital surinamesa, apenas cinco aceitaram o oferecimento do governo brasileiro para retornar hoje ao Brasil em avião da FAB. Os demais 76 indicaram que preferem permanecer no Suriname.

 

A Embaixada teve hoje sua lotação reforçada em dois diplomatas, o que lhe permitirá melhor assistir as vítimas brasileiras."

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