Itamar suspende contratos da Cemig

O governador de Minas, Itamar Franco(PMDB), determinou nesta segunda-feira a suspensão de dois contratos de prestação de serviçosjurídicos à Companhia Energética do Estado (Cemig) por terceiros, suspeitos deirregularidades em licitações e de ausência de concorrência pública.Segundo denúncias que chegaram ao Ministério Público estadual, e que já estão sendoinvestigadas, o escritório Sacha Calmon & Advogados Associados, que tinha como sócia,até julho do ano passado, a atual procuradora geral do governo de Minas, MisabelDerzi, teria sido favorecido em uma concorrência para atuar na recuperação decréditos tributários da estatal.O outro escritório envolvido é o Gaya, Silva, Rolim & Advogados Associados, que teriaprestado serviços à Cemig, também na área tributária, com dispensa de licitação, deacordo com a própria direção da empresa. O governador mineiro, que desde o retorno aoPMDB e o anúncio da pré-candidatura ao Palácio do Planalto, não tem economizadocríticas e referências à suposta corrupção existente no governo federal, informou quetodas as ordens de serviços dos dois escritórios ficarão suspensas até que o MPapresente conclusões sobre o caso."Na esteira da postura política que vem sendo adotada pelo governo mineiro, em todosos casos onde são levantadas suspeitas sobre procedimentos da administração pública,e para preservar a moralidade e a absoluta transparência e impessoalidade nasquestões de interesse coletivo, determinou o governador a imediata e profundaapuração dos fatos a fim de que a lisura e a incolumidade dos atos da administraçãosejam preservados", diz nota oficial divulgada no início da noite pela assessoria deItamar.O governador também recomendou às lideranças do governo e do PMDB na AssembléiaLegislativa de Minas que apóiem possíveis iniciativas de deputados de oposição, jámobilizados para instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobreeventuais irregularidades na Cemig.Segundo fonte do Palácio da Liberdade, ogovernador, que tomou estas decisões depois de reunir-se com a procuradora MisabelDerzi - cuja filha continua como sócia do escritório Sacha Calmon - e com opresidente da Cemig, Djalma Moraes, quer mostrar, com suas atitudes, uma supostadiferença de conduta entre ele e o presidente Fernando Henrique Cardoso "quando setrata de investigar denúncias de corrupção."

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