Itamar não crê em convenção extraordinária do PMDB

O governador de Minas, Itamar Franco (PMDB), não acredita que seus aliados consigam realizar uma convenção nacional extraordinária do partido, para fevereiro, caso a cúpula da legenda se recuse a estabelecer regras mais claras para as prévias do dia 17 de março. A proposta da convenção foi retomada ontem pelos chamados não-governistas do PMDB, que se reuniram com Itamar, em razão da decisão do comando nacional da legenda de que o eventual vencedor das primárias só poderá saber o resultado após encerrado o prazo de desincompatibilização.A medida foi considerada como mais uma tentativa dos governistas de enfraquecer a candidatura de Itamar - que, ganhando ou não, teria obrigatoriamente de deixar o governo estadual - e a própria tese de candidatura própria do partido. Questionado hoje sobre a possibilidade de convocação da convenção nacional, na qual a cláusula sobre a desimcompatibilização e outras regras das prévias poderiam ser modificadas, o governador mineiro mostrou pessimismo. "Tenho minhas dúvidas", afirmou.Para ele, embora a convenção extraordinária seja a "atitude viável, mais correta, mais decente e mais correlata com a política nacional, com a política da ética", as probabilidades de que ela seja convocada são mínimas. "Com o PMDB sendo dirigido como está, dificilmente nós poderemos ter este tipo de comportamento ético", explicou o governador.Itamar referiu-se ao embate que está acontecendo no PMDB entre os que defendem um rompimento com o governo e o lançamento de candidato próprio e os que preferem manter a aliança com o PSDB, como um jogo de "bola de fogo". "Nós (o PMDB) estamos jogando uma bola de fogo. Chuta a bola de fogo para cá, chuta para lá, quem vai pegar fogo eu não sei", disse. ViceApesar de o vice-governador Newton Cardoso ter declarado ontem que não abre mão de sua candidatura ao governo de Minas em favor de Itamar - caso ele não consiga ser o representante do PMDB na disputa presidencial -, o governador parece ainda não ter descartado a possibilidade de tentar a reeleição. Ao ser questionado sobre as alternativas para o ano que vem, Itamar disse apenas que tem "quatro opções". Não quis listá-las, mas, segundo pessoas próximas, ele se referia à candidatura à presidência, a uma eventual tentativa de retorno ao Senado, ao abandono da vida pública e também à luta para manter-se por mais quatro anos no Palácio da Liberdade.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.