Itamar muda discurso para atrair governistas do PMDB

Ovacionado pelos convencionais do PMDB, o governador de Minas Gerais, Itamar Franco, mudou de rumo em plena convenção. Ele era esperado na condição de oposicionista ao governo, mas seu comportamento foi outro. Em vez de estimular as desavenças, Itamar mostrou que vai buscar o apoio de aliados do governo para ser escolhido o candidato do partido à presidência da República. ?Isso é uma característica dele?, comentou o senador Pedro Simon (RS), que também disputa a indicação, ao se referir ao governador de Minas.Os aliados de Itamar anunciaram que ele vai disputar as prévias do partido que elegerá o candidato à presidência da República. O novo estilo de Itamar coincidiu com um fato inédito: foi a primeira vez que ele foi a Brasília sem falar mal do presidente Fernando Henrique nem de seus auxiliares.O governador não deu declarações na sua chegada e ao embarcar, uma hora depois, limitou-se a dizer que ?no fulgor dos acontecimentos, nem general em guerra fala?.O vice-governador Newton Cardoso, que no dia anterior havia ameaçado ?baixar o nível?, também amorteceu os seus ataques. Embora tenha chamados os convencionais governistas de ?delegados de algibeira?, ele mostrou que havia deixado de lado a idéia de confronto.Newton antecipou que não está previsto acordo no encontro que Itamar terá nesta segunda-feira com o presidente do PDT, Leonel Brizola, no Rio de Janeiro. De acordo com o deputado Hélio Costa (PMDB-MG), o caminho do governador de Minas Gerais é mesmo o de tentar angariar apoio dos dois lados para sair candidato nas prévias do PMDB. ?Nos contatos que estamos tendo, todos os peemedebistas falam dele como único nome com chance de se eleger presidente da República?, justificou.Costa disse que a estratégia de Itamar Franco é a de poupar o governo, ?a instituição? de críticas, sem abrandar os ataques contra o presidente Fernando Henrique, ?porque esses saem de forma automática?.Apesar do novo discurso, a idéia de Itamar sair candidato do PMDB racha os governistas. O ministro da Integração Nacional, Ramez Tebet, e o secretário do Desenvolvimento Urbano. Ovídeo de Angelis, afirmaram que estão dispostos a aceitar o candidato que for escolhido pelo partido. ?Hoje, o meu voto é do Simon, mas se Itamar me convencer, eu voto nele?, garantiu Tebet.Para Ovídeo, o partido não pode fazer restrições a militantes e filiados, ?notadamente quando se afloram numa convenção não só as paixões, mas também as razões e motivações políticas?. Já o deputado Michel Temer (SP), que disputa com o senador Maguito Vilela a presidência do PMDB, e o governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos, deixam claro que resistem à essa idéia. Para Temer, Itamar só terá chances de ser o escolhido do PMDB se adotar o procedimento que deve ser seguido por todos os filiados ?de servir ao partido e não o de se servir do partido?.No entender de Jarbas, a avaliação que deve ser feita não se restringe ao PMDB, mas, sim, em saber se os eleitores querem ou não elegê-lo.

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