Itamar lança novas críticas contra FHC

O governador Itamar Franco (PMDB-MG) afirmou hoje que não está em campanha para a presidência da República mas, como se estivesse, fez uma série de críticas ao atual presidente Fernando Henrique Cardoso e aos políticos que apoiam o governo. Em uma entrevista coletiva, que durou cerca de uma hora, Itamar também criticou o presidente nacional do PMDB, Jader Barbalho, e a privatização da geradora Cesp Paraná pelo governo paulista.Itamar disse que considera "inusitado" o ex-líder do governo no Senado, José Roberto Arruda, não ter comunicado ao presidente Fernando Henrique o caso da lista de votação no Senado. "Já fui vice-líder, acho muito difícil que o líder tenha tomado a decisão sem que o presidente soubesse. É apenas uma observação, mas acho muito difícil que o presidente não soubesse da lista", disse Itamar. O governador mineiro não chegou a afirmar se a lista teria ou não chegado ao presidente da República, mas frisou que é difícil acreditar que Arruda e Fernando Henrique não tenham comentado essa questão.Itamar criticou também o fato do presidente Fernando Henrique ser contra a instalação de uma CPI para investigar a corrupção. "Esse presidente tem a coragem, o descaramento, de chamar parlamentares para pedir que retirem a assinatura do pedido de CPI alegando que prejudicaria a imagem do Brasil no exterior. Imagem ruim é deixar o caso em suspeição", afirmou Itamar. Ele lembrou que foi parlamentar por 16 anos e destacou que era numa época de regime ditatorial. "Mesmo no regime forte, presidente Ernesto Geisel não impedia CPI." Itamar recordou que, durante a época da ditadura, foi feita a CPI para investigar o acordo entre o Brasil e a Alemanha para a construção das usinas nucleares de Angra. Segundo ele, a CPI se desenvolveu por mais de dois anos e, nesse período, o Congresso Nacional não ficou paralisado, outro argumento usado pelo governo federal para impedir a instalação de uma CPI. "Por que o presidente não quer? Por que o Congresso Nacional aceita isso? A função do Congresso Nacional é fiscalizar e se o presidente não quer é porque está com medo de alguma coisa. Ele não quer que se fale da reeleição, que foi comprada, nem quer que se fale da privatização das teles, em que houve corrupção." Itamar Franco disse ainda que não é capaz de avaliar se todo esse episódio trará prejuízo ao candidato do governo nas eleições presidenciais de 2002 mas criticou o PSDB, que segundo ele estaria tentando "varrer a lama, jogando-a no colo do PMDB". Itamar disse ainda que o governo federal não tem uma mensagem para os jovens brasileiros e que a situação atual é de "corrupção endêmica". "A lama já chegou perto do Palácio. Por muito menos um presidente já deu um tiro no peito", disse Itamar, referindo-se a Getúlio Vargas. Ainda em relação à CPI da corrupção, Itamar reafirmou que Fernando Henrique Cardoso interfere no Poder Legislativo por ter medo de que se possa descobrir algo contra ele ou contra o seu governo. "Ele foi meu ministro duas vezes e me enganou várias vezes. Dizer que a CPI atrapalha o andamento do Congresso Nacional não é verdade", disse Itamar sem querer detalhar quando teria sido enganado por Fernando Henrique. "Isso fica para uma outra ocasião." Itamar lembrou que, na época da ditadura, alguns políticos foram banidos e outros saíram do País porque quiseram. "Foram aprender línguas. Nós respeitamos os que foram banidos", disse Itamar.O ex-presidente da República chegou inclusive a dar um conselho para Fernando Henrique, para que não se deixe iludir com o "poder eterno". "Já fui prefeito, governador e presidente e sei que o poder é passageiro. Como sei que o presidente da República gosta muito de falar inglês gostaria de dar um conselho: don´t make the same mistake twice, e ele já cometeu algumas vezes", disse Itamar. Em relação ao senador Jader Barbalho que acumula as presidências do PMDB nacional e do Senado, Itamar Franco anunciou que entrou ontem com uma notificação junto ao Tribunal Superior Eleitoral questionando a acumulação indevida de cargos. Segundo Itamar de acordo com o regimento do partido e com a Constituição, Jader não pode ter a presidência do Congresso e estar na linha sucessória do partido. "Ele fica com uma coisa ou com outra", afirmou. A notificação, ressaltou Itamar, não tem nenhuma ligação com as denúncias de suposto envolvimento de Jader em casos de corrupção na Sudam.

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