Itamar fica no PMDB, mas muda comportamento

O governador de Minas, Itamar Franco (PMDB), confirmou nesta segunda-feira, por meio de sua assessoria, que decidiu permanecer no partido e candidatar-se às prévias que devem acontecer em janeiro, para escolha do peemedebista que poderá concorrer à Presidência da República.Itamar, no entanto, deixou em dúvida sobre a forma como deverá se comportar daqui para a frente. "Continuo onde estava", afirmou o governador, referindo-se à opção partidária. "O que significará uma profunda alteração na minha conduta, a partir de agora", completou, insinuando que suas críticas poderão tornar-se ainda mais contundentes em relação aos governistas do PMDB e ao próprio governo federal.No fim de semana, Itamar não quis revelar se ficaria no PMDB ou se havia assinado a ficha de filiação ao PDT. As suspeitas de que ele pudesse trocar de legenda surgiram na última sexta-feira, dia seguinte ao anúncio, feito por ele próprio, de que não sairia do PMDB.Irritado mais uma vez com o comando nacional peemedebista, Itamar divulgou nota garantindo que não seria "menino de recados" do partido. A nota era uma resposta à intenção da cúpula da legenda de que, em programa eleitoral do PMDB que deve ir ao ar em novembro, o governador participasse com um pequeno pronunciamento, falando da importância das prévias.O prazo para as filiações terminava à meia-noite de sábado e tanto Itamar quanto o vice-governador, Newton Cardoso, secretários de Estado e até representantes do PDT mantiveram mistério sobre a decisão final, anunciada nesta segunda-feira.Entre assessores, uma das interpretações para a declaração desta segunda é que Itamar ficou no PMDB disposto a vencer as prévias a qualquer custo. Para isso, ele centraria fogo no governo federal, criticando-o mais do que vem fazendo, nos últimos três anos, e insistiria na necessidade de o partido ter um candidato próprio à presidência.Uma grande campanha junto aos delegados peemedebistas, em todo o País, não está descartada. Caso não tenha sucesso e, dependendo do que o partido decidir em janeiro - por exemplo, a escolha de um candidato ligado à área governista do partido ou mesmo o apoio ao representante do Palácio do Planalto na disputa presidencial -, o governador poderia ser candidato à própria sucessão ou ao Senado, dependendo de acertos que faria com o vice, Newton Cardoso.

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