Itamar: FHC deve "pedir boné e ir embora"

O governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), afirmou nesta quinta-feira que o presidente Fernando Henrique Cardoso "deve pedir o boné e ir embora", caso considere que as denúncias da oposição põem em risco a democracia no País.Em entrevista nesta quarta-feira ao jornal O Globo, Fernando Henrique alertou que a democracia corria perigo com o clima fascista e de golpe fomentado pelos oposicionistas."Aquilo (a entrevista) é de um farisaísmo terrível e, se ele não se julga capaz de manter a democracia, pelo amor de Deus, pede o boné e vai embora", afirmou o governador.Itamar criticou também o comportamento de Fernando Henrique com o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). Itamar lembrou que, antes do episódio da violação do painel do Senado, ACM era "bajulado, cortejado, freqüentava palácios e era considerado um Deus, até pelo presidente da República.""Por isso, enviei um telegrama para o senador, porque achei que era uma covardia daqueles que bajulavam ACM, que passou a ser vítima da ingratidão até do homem que dirige a Nação", argumentou Itamar.O governador de Minas Gerais passou esta quinta-feira em Brasília, fazendo contatos para o lançamento da candidatura pelo PMDB a presidente. Segundo o presidente nacional do PMDB, senador Maguito Vilela (GO), o partido terá candidato próprio nas eleições de 2002.Na avaliação de Vilela, a legenda poderá lançar uma "chapa pura" em 2002, com Itamar e o senador Pedro Simon (PMDB-RS) juntos, um como candidato a presidente e outro, a vice-presidente."Os dois vão levar suas candidaturas até o final e um pode ser candidato à Presidência; o que tiver mais densidade eleitoral, e o outro, candidato a vice", disse Vilela, que se reuniu nesta quinta-feira à tarde com Itamar e Simon para discutir a candidatura própria da sigla nas eleições de 2002.No início da tarde, o governador reuniu-se com a cúpula do PL, que reafirmou o apoio à candidatura dele a presidente. "A vocação natural do PL é apoiar o Itamar", afirmou o líder da agremiação na Câmara, Waldemar Costa Neto (SP).Em discurso feito hoje pela manhã, ao término da 18ª Convenção Nacional dos Auditores Fiscais da Previdência, Itamar acusou Fernando Henrique de controlar a mídia e interferir no Congresso."Nem no regime militar assistimos a isso", disse o governador, ao criticar a pressão do Palácio do Planalto para evitar a criação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) destinada a investigar corrupção no governo.Ele afirmou que, quando era senador, na época do governo do ex-presidente Ernesto Geisel, na ditadura militar, presidiu uma CPI destinada a apurar a compra de reatores nucleares pelo governo brasileiro. "O Geisel não impediu a instalação dessa comissão", observou Itamar.

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