Itamar exonera peemedebistas ligados a Newton Cardoso

Logo após anunciar a saída do PMDB e o apoio ao tucano Aécio Neves na eleição estadual, o governador de Minas, Itamar Franco (sem partido), começou a cortar os peemedebistas de sua administração, como forma de retaliar ainda mais o partido, ao qual acusou de ter-lhe fechado as portas, e, principalmente, o vice Newton Cardoso, candidato da sigla ao Palácio da Liberdade. Entre a quarta-feira e hoje, Itamar exonerou o secretário de Trabalho, Ação Social, Criança e Adolescente, Antonio Nahas, e o Superintendente de Desenvolvimento de Desenvolvimento do Nordeste mineiro, Sérgio Amaral.Embora a informação oficial seja de que os demitidos, filiados ao PMDB, tenham pedido para sair, assessores próximos de Itamar admitem que a determinação do governador é para que seu grupo político, em peso, deixe o PMDB, o que já aconteceu com o secretário de Governo, Henrique Hargreaves, e com o secretário de Educação, Murílio Hingel, entre outros. Quem for aliado de Newton deve deixar a administração. "Começa uma nova fase de Governo e mudam os aliados. A iniciativa foi dada na convenção com a exigência de fidelidade ao candidato (Newton Cardoso) que não é o do Palácio", justificou o assessor político de Itamar, Alexandre Dupreyrat, revelando que novas dispensas devem acontecer nos próximos dias. A intenção de Itamar com as mudanças é dar mais espaço a integrantes de outros partidos afinados com o governador e com o candidato Aécio Neves, inclusive o próprio PSDB, que foi praticamente a única oposição que jamais esteve com Itamar no Estado, nos três anos e meio de governo. No início do ano, Itamar já demitira vários aliados do vice-governador do primeiro e do segundo escalão, ocupantes de áreas importantes como Transportes e Obras Públicas. As medidas foram adotadas depois que Newton anunciou que não abriria mão da candidatura ao governo estadual em favor de Itamar, que cogitava a reeleição. Esta determinação de Newton se manteve e, no discurso que ele fez na convenção estadual do PMDB, este mês, à qual Itamar não compareceu, chegou a chamar o governador de "fraco" e de "mau administrador". O discurso foi a gota d´água para que Itamar deixasse o PMDB e fizesse sua opção por Aécio.

Agencia Estado,

21 de junho de 2002 | 19h50

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