Itamar está de saída do PMDB

Embora não tenha oficializado sua saída do PMDB, as declarações do governador Itamar Franco (MG), durante entrevista coletiva, deixaram claro que é apenas uma questão de definir a data e o novo partido ao qual pretende se filiar. O prazo limite para a permanência de Itamar no PMDB deve ser a data da convenção nacional, em 9 de setembro próximo.Em pouco mais de meia hora de coletiva, Itamar voltou a criticar o presidente Fernando Henrique Cardoso e a política econômica do governo federal, mas se recusou a apresentar uma proposta alternativa. "Não sou candidato ainda", disse Itamar, referindo-se à sua candidatura para disputar a sucessão presidencial em 2002. Sobre FHC, voltou a declarar que a todo momento o presidente da República tenta "minar sua candidatura"."Ele (FHC) não esconde isso a ninguém. O presidente usa uma máscara, é um homem ardiloso, um homem falso, ingrato e está interferindo no PMDB", disse Itamar. E foi mais além: "Ele é culpado, mas o PMDB é muito pior, porque aceita essa prática". Itamar se recusou a dizer qual é o grupo predominante hoje no partido, se o governista ou o oposicionista.Ao explicar sua desistência em disputar a presidência nacional do partido, Itamar preferiu ler um trecho da carta enviada ao senador Maguito Vilela (GO), repetindo que "manobras ardilosas do presidente da república para aliar correligionários" o obrigaram a desistir da disputa para a presidência do partido."Se o PMDB continuar como um apêndice do presidente da República, nós vamos meditar", afirmou Itamar, referindo-se ao rumo que ele e o grupo oposicionista deve tomar, inclusive com a possibilidade de um bloco de deputados e senadores deixarem o partido.Ao contrário do que vários jornais publicaram hoje, Itamar negou que tenha fechado um acordo com o deputado federal Michel Temer (SP). "Não há hipótese de um acordo com Temer. Como falar em consenso com essa gente que não representa os ideais pelos quais o PMDB luta. Até disse ao vice-governador (Newton Cardoso) que poderia receber o Temer, mas avisei: diga a ele o que eu penso", disse Itamar.O suposto acordo previa a indicação de Temer, como nome de consenso, para a presidência nacional do partido, e a garantia de que o PMDB teria candidatura própria para disputar a Presidência da República, além da realização de prévias caso houvesse outro nome além do de Itamar. "Este presidente não terá meu apoio, ele é um discípulo do presidente Fernando Henrique", disse Itamar, referindo-se a Temer.Na próxima semana o PMDB deve definir uma nova chapa para disputar a presidência nacional do partido. O senador Maguito Vilela, atual presidente nacional do PMDB, não quis antecipar qual seria o nome escolhido para bater chapa com Temer. Sobre quem seria o candidato de consenso indicado pelo grupo oposicionista, Itamar chegou a ser irônico. "Não cabe a mim responder. Consenso no PMDB? Duvido. Pode até ser um anjo, que caia do céu", disse Itamar.Disputado por vários partidos, entre eles PDT, PL e PPS, Itamar evitou falar sobre os convites recebidos até agora. "Não quero me antecipar." Tanto para o PDT quanto para o PL, no entanto, é mais interessante apoiar Itamar para a Presidência da República, desde que ele permaneça no PMDB. A estrutura nacional do partido e o tempo de propagando eleitoral gratuita foram os dois itens apontados como trunfos da candidatura Itamar por representantes do PL (deputado Luis Antonio de Medeiros) e do PDT (Vivaldo Barbosa da direção nacional).

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