Itamar espera definição do PMDB

O governador de Minas, Itamar Franco, embora tenha assumido a pré-candidatura à Presidência desde seu retorno ao PMDB, em fevereiro, aguarda uma definição do partido sobre o lançamento ou não de um concorrente ao Palácio do Planalto para falar com maior clareza e objetividade sobre suas propostas de campanha.Segundo o assessor especial de Itamar, o ex-ministro Alexandre Dupeyrat - principal responsável pela moratória mineira, em 1999, e também pelo programa de governo em Minas -, esse assunto pode ser decidido nesta terça-feira, em Brasília, durante reunião dos diretórios estaduais do PMDB.Os representantes de cada um dirão se são favoráveis ou não à candidatura própria e, a partir daí, o governador mineiro se sentiria mais à vontade para expor algo parecido com uma "agenda mínima", como já o fizeram os pré-candidatos do PT e do PPS."Não pode existir posição de candidato sem que haja uma definição partidária", disse Dupeyrat. "E o PMDB, no momento, tem dois pré-candidatos (Itamar e o senador Pedro Simon), de um lado, e, de outro, uma ala que prega o apoio ao governo federal", acrescentou. Apesar do silêncio do governador, sobretudo nos últimos dias, sobre uma eventual plataforma político-sócioeconômica para a Presidência, Dupeyrat deu pistas do que seriam algumas idéias norteadoras do pensamento de Itamar.Em relação, por exemplo, à proposta de independência do Banco Central - já há quem pregue uma total autonomia da instituição em relação ao governo -, Dupeyrat afirmou que a discussão sobre o assunto merece ser "aprofundada". "Essa independência seria em relação a quê?", questionou. "Se é em relação ao que o povo decidiu nas urnas, aos mandatários políticos do País, isso seria um absurdo", afirmou.O assessor lembrou, contudo, a necessidade de criarem-se mecanismos para que o banco, mesmo estando submetido a políticos, não seja "usado politicamente".Sobre reforma tributária e manutenção ou não da Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras (CPMF) - que significa uma arrecadação de R$ 9 bilhões anuais -, a posição do governador já foi dada, em outras ocasiões.Itamar acredita que, se houver vontade política e interesse do governo - o que não estaria ocorrendo com a atual administração federal -, a reforma tributária será aprovada em pouco tempo. Isso, no entanto, não necessariamente significaria a suspensão da CPMF, que poderia continuar vigorando até que as alterações fiscais produzissem efeitos e equilibrassem as contas públicas.O governador também prega o respeito ao chamado pacto federativo, sem a centralização da arrecadação de boa parte dos tributos em Brasília.O goverandor de Minas atribui boa parte dos problemas vividos hoje pelo País - entre eles o racionamento de energia, que seria fruto de redução proposital de investimentos no setor elétrico, pelo governo federal, e não da falta de chuvas - a imposições dos acordos firmados pelo presidente Fernando Henrique Cardoso com o Fundo Monetário Internacional.Embora assessores de Itamar descartem uma decretação de moratória - como fez em Minas, logo que assumiu o cago, há dois anos e meio -, é praticamente certo que, sendo eleito presidente, o governador faria a revisão dos termos dos acertos com o Fundo. Metas inflacionárias, restrições a investimentos sociais e valores de parcelas da dívida externa seriam rediscutidos com os agentes internacionais.Outro problema surgiria em relação ao programa nacional de privatizações, moldado nos contratos com o FMI. Nacionalista assumido e partidário da tese de que as águas do País são "bens difusos" e não podem ser vendidas, Itamar exigiria, por exemplo, a suspensão imediata de processos de alienação de companhias do setor elétrico.Seria o caso de Furnas, cuja manutenção como estatal tem sido uma das principais bandeiras do governador, nos últimos meses.De acordo com assessores, o que Itamar defende, basicamente, é que novos investimentos em distribuição e transmissão de energia, principalmente, sejam facultados ao capital privado, mas que o patrimônio estatal existente continue sendo gerido pelo Poder Público.

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