Itamar diz que PSDB não é pai do Real

Ex-presidente lembrou que a equipe de formuladores do plano era composta por integrantes de outros partidos

Ana Conceição, da Agência Estado,

01 de julho de 2009 | 18h35

O ex-presidente da República Itamar Franco fez duras críticas nesta quarta-feira, 1, à campanha do PSDB por ocasião dos 15 anos do Plano Real, comemorados nesta quarta-feira, 1. Em entrevista ao jornalista Everson Passos, da Rádio Eldorado, Itamar disse que a campanha deturpa e nega a história e lembrou que a equipe de formuladores do plano era composta por integrantes de outros partidos. "A todo instante, assistimos na TV o PSDB comemorando os 15 anos do Plano Real. Oras, isso não nos magoa, mas é uma deturpação, uma negação da história."

 

Presidente de 1992 a 1995, Itamar chamou para si a responsabilidade política pela implantação do Real, em 1994, e ressaltou o papel de outros políticos e economistas. "O grande ministro do Plano Real chama-se (Rubens) Ricupero e, em seguida, Ciro (Gomes). E depois houve Paulo Haddad, Eliseu Resende. O plano não é só de um ministro. E é preciso lembrar que o Plano Real foi assinado pelo presidente da República, não por uma ordem técnica. A parte política foi garantida pelo presidente da República", disse.

 

Na entrevista, Itamar lembrou que, pouco antes da implantação do plano, o então ministro da Fazenda Rubens Ricupero o procurou para dizer que a equipe econômica temia pelo Plano Real porque não conseguia chegar a um acordo sobre o câmbio. Também temia as consequências políticas, por conta das eleições presidenciais, que seriam realizadas naquele ano. "Eu disse para ele resolver a parte técnica porque eu iria implantar o plano no dia 1º de julho. Ele disse 'tecnicamente eu resolvo', e eu respondi 'politicamente resolvo eu'". Itamar afirmou que combaterá o PSDB se o partido defender a paternidade do Plano Real durante as eleições 2010.

 

Ao avaliar o legado do plano, o ex-presidente citou o controle da inflação, que na época oscilava em torno de 50% ao mês, o respeito aos contratos firmados e a manutenção do estado de direito. "Ninguém acreditava que nosso governo durasse 48 horas. Felizmente, nosso projeto político venceu e fizemos um sucessor. Esse legado é fundamental quando vemos, hoje, crises institucionais aparecendo no País, particularmente no Senado", ponderou.

 

Itamar também criticou o fato de os sucessivos governos após o seu não terem conseguido realizar a reforma tributária, que já era prevista pelo plano. Ele defende que, na época, essa não era a prioridade. "É incrível que desde 1995 nenhum governo tenha tido coragem de fazer a reforma."

 

Sobre a crise atual, o ex-presidente considerou que o governo demorou a acreditar que o País seria afetado pelas turbulências internacionais e agora enfrenta problemas sérios, como o aumento da taxa de desemprego. Falando sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Itamar se mostrou irritado com declarações de Lula sobre os feitos de seu governo. "Quando o presidente diz 'nunca antes' parece que nunca ninguém governou este país. Não é meu caso. Citaria outros presidentes que fizeram tanto, como o Juscelino Kubitschek. A gente chega à conclusão que daqui a pouco ele (Lula) vai dizer que foi ele quem abriu os portos e não Dom João VI", ironizou.

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