Itamar diz que poderá ser vice com união da oposição

O governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), disse hoje que ?não tem mais compulsão? pelo poder ou por disputas eleitorais e não veria problema em ser candidato a vice-presidente em uma coalização das oposições já no primeiro turno. O governador teve um encontro de duas horas com o candidato do PPS à Presidência, Ciro Gomes, e com o presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, o que foi anunciado como ?o primeiro passo? da coalizão. Itamar anunciou ainda que, se seu grupo perder a convenção do PMDB, em 9 de setembro, deixará o partido no dia seguinte.Ciro, Itamar e Brizola reiteraram a intenção de se aliar na primeira etapa das eleições contra o candidato do governo, dando um ?caráter plebiscitário? à campanha de 2002. Ao ser questionado se poderia ser vice de Ciro, Itamar respondeu: ?Por que não??LulaOs três também defenderam a inclusão do PT de Luiz Inácio Lula da Silva na coalizão. Nesta terça-feira, Itamar terá um encontro com o presidente licenciado do PT, deputado José Dirceu. ?Como não tenho mais essa compulsão, posso tentar somar as forças de oposição para que se possa dar combate a esse governo. Isso não quer dizer que amanhã eu não possa participar do processo. É uma decorrência natural do processo? declarou o governador mineiro.Itamar disse que não considera ?absolutamente? que, por ter sido presidente da República, seja um candidato natural das oposições. O governador mineiro acusou o ministros dos Transportes, Eliseu Padilha, de aliciar peemedebistas para o grupo governista do partido. ?O deputado Saraiva (Saraiva Felipe, secretário-geral do PMDB e aliado de Itamar) acaba de me dizer que do gabinete do ministro dos Transportes parte toda essa movimentação contra a nossa candidatura, de aliciamento. Está provado. O presidente da República sempre disse que não quer a candidatura do senhor Itamar Franco?, afirmou o governador.PMDBItamar Franco, Ciro Gomes e Leonel Brizola redigiram uma nota conjunta criticando o ?intervencionismo indébito e espúrio do presidente da República e de outros agentes de seu governo nos assuntos internos de partidos políticos?. Citaram especificamente o PMDB.Itamar lembrou sua história política, com mandatos, ?sempre eleito? de prefeito, senador, vice-presidente, presidente e governador e sua participação na fundação do antigo MDB. ?Se essa gente do PMDB quiser ficar com o presidente da República, eu estarei fora do partido?, avisou. ?O único que o presidente da República não ataca é o Lula e isso não faz bem ao Lula?, emendou Brizola. Os pré-candidatos a presidente não quiseram falar em nomes para encabeçar a lista. Brizola lembrou que abriu mão de uma candidatura a presidente da República, em 1998, para ser vice de Lula, ?quando devia ser o Lula meu vice, porque eu tinha mais experiência, mais quilometragem, era mais viajado?. Brizola disse, porém, que assumiu ?uma atitude de modéstia e humildade? que agora poderia ser adotada, mas não disse quem deveria abrir mão da candidatura.GarotinhoItamar e Brizola deixaram claro que não incluem o governador do Rio, Anthony Garotinho (PSB), também pré-candidato a presidente, na busca de uma aliança oposicionista. ?O governador Garotinho não quer mudar o modelo econômico-social?, disse Itamar.Brizola afirmou que até poderá vir a procurar Garotinho para uma coalizão, e ironizou: ?Mas agora ele é pastor, e o sacristão é nosso querido Miguel Arraes (ex-governador de Pernambuco, presidente do PSB)?.

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