Itamar diz que FHC pode tentar fraudar 2002

A cinco dias da convenção do PMDB em que seu grupo deverá ser derrotado pela ala governista, o governador de Minas, Itamar Franco, elevou nesta terça-feira o tom de suas críticas ao presidente Fernando Henrique Cardoso e afirmou que, para garantir a vitória de seu candidato nas eleições de 2002, FHC pode fraudá-las.Segundo Itamar, um presidente que intervém em um partido da forma ?heterodoxa? como FHC estaria, supostamente, fazendo entre os peemedebistas, poderá adulterar o resultado do pleito, utilizando, afirmou, as urnas eletrônicas.O governador ameaçou denunciar a suposta fraude até internacionalmente. Para Itamar, o presidente ?não quer perder o comando do País?. ?E quem não quer perder o poder vai usar todas as armas?, declarou. ?A arma seja da corrupção, seja da tentativa de modificar o processo eleitoral.? O governador afirmou que Fernando Henrique é capaz ?de tudo?. ?Até de manipulação de urnas eletrônicas?, atacou.A suposta possibilidade de fraudar o voto informatizado é uma das denúncias repetidas pelo presidente do PDT, Leonel Brizola, de quem Itamar se aproximou. O peemedebista também acusou o presidente de tentar criar no País um modelo como era o do México, ?partido único?. ?E as oposições não estão percebendo?, disse.?O principal partido da oposição ainda não teve consciência, no meu entendimento, de que, se fazem isso agora com o PMDB, o que esse homem não pode fazer amanhã? Espero que a oposição se some neste entendimento de que tudo pode acontecer.? Itamar disse ainda que o governo está ?carimbado como governo antinacional, antipatriótico.? ConvençãoPré-candidato a presidente, o governador de Minas afirmou que a convenção do PMDB poderá ser viciada, por causa da suposta intervenção governista. ?Se ela for viciada, vamos denunciá-la?, ameaçou.Ele afirmou que Fernando Henrique tem atuado para influenciar o encontro do PMDB por intermédio de ministros e considerou o resultado imprevisível. ?Quando há interferência do poder federal numa convenção, é muito difícil prever o que vai acontecer?, disse. ?Nossos companheiros estão lutando bravamente contra essa ingerência inusitada. A ingerência é muito forte.?O governador de Minas descreveu a suposta atuação do governo para influir no PMDB, demonstrando indignação. ?São os métodos da liberação de verbas e da corrupção, já denunciada ao corregedor da Justiça eleitoral e ao Ministério Público?, afirmou, referindo-se a denúncias feitas pelo presidente em exercício do PMDB, senador Maguito Vilela (GO).Itamar prometeu que, qualquer que seja o resultado, haverá conseqüências políticas. Ele lembrou a convenção do PMDB de 1998, quando houve confronto físico entre as facções e seu grupo saiu derrotado. ?Tenho na memória a foto do senhor presidente da República com uma taça de champanhe brindando aquele resultado?, disse. ?Não sei como ele vai brindar desta vez.?Ele lembrou que, depois da derrota, acabou eleito governador de Minas, com 1,3 milhão de votos sobre seu adversário, o tucano Eduardo Azeredo, que concorria à reeleição. E deixou claro que deverá deixar a legenda, se perder desta vez. ?O que fazem os combatentes? Tem tantos exemplos históricos, a famosa Retirada de Dunquerque?, afirmou, referindo-se a um episódio na Segunda Guerra Mundial, no qual mais de 200 mil soldados aliados deixaram a Franca ocupada pelos nazistas, em 1940.Ele prometeu que Minas ?vai atuar? no processo político e acusou o governo federal de não ter ética nem princípios políticos. ?Este é um governo sob corrupção, um governo que comprou a reeleição, que tem suspeição sobre a venda das teles, tem uma série de suspeições na ordem econômica, que já chamou os aposentados de vagabundos...?LançamentoItamar anunciou ainda que será no próximo dia 18 o lançamento, na bolsa de Nova Iorque, de ações da Cemig. Serão ADRs (American Depositary Receipts) de nível 2, que permitirão que a estatal, que já tem papéis negociados no chamado mercado de balcão (mais restrito) possa chegar à bolsa novaiorquina.?Os papéis da nossa estatal, que eles tentaram destruir?, afirmou. Ele voltou a acusar o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, de ter aconselhado investidores a não investir em Minas Gerais.

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