Itamar deixou de ser zen após eclipse do sol

A decisão do governador de Minas, Itamar Franco, de comentar declarações de adversários seus dentro do PMDB ou em outros partidos sobre a situação da legenda e de sua pré-candidatura à Presidência da República, por meio apenas de notas curtas, está cada vez mais curiosa.No final da tarde de ontem, ao divulgar documento no qual respondia a afirmações do governador de Pernambuco, Jarbas Vaconcelos (PMDB) - segundo o qual o colega mineiro "não é o candidato ideal no momento" para o partido -, Itamar foi, no mínimo, obscuro (sem trocadilho) ao concluir seu pensamento."Direita volver, ombros, armas ao liberalismo", afirmou o governador mineiro, na nota. "Não reconheço ao senhor Jarbas Vasconcelos autoridade moral para suas provocações", prosseguiu, para finalizar, referindo-se, misteriosamente, a um fenômeno astronômico ocorrido na quinta-feira: "Perco tempo em respondê-las porque deixei de ser zen neste início de inverno e após o eclipse do sol."Junto com a nota sobre Vasconcelos, Itamar também divulgou um fax enviado por ele ao presidente interino do PMDB, o senador Maguito Vilela. O senador teria sofrido ataques de colegas por defender a saída do partido da base de sustentação ao governo federal."No momento em que o País enfrenta uma grave crise, fruto de uma política impatriótica e irresponsável do Governo federal, sinto-me no dever de congratular-me com Vossa Excelência pela corajosa postura assumida em recentes pronunciamentos no Senado Federal", disse o governador."Esquizofrênicos são os que pregam a permanência do partido na base parlamentar de um Governo falido e sobre o qual pesam graves denúncias que não querem ver apuradas", acrescentou. Itamar também ressaltou que "o PMDB autêntico, que não admite ver o Partido envolvido em políticas espúrias e contrárias ao interesse nacional", solidariza-se com Vilela "e repudia a atitude menor dos que se deixam seduzir por pequenos favores". "Estes serão inexoravelmente batidos nas urnas porque já não mais conseguem iludir a opinião pública. E não lhes assiste o direito de pretender levar o partido por uma trajetória suicida", disse.

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