Itamar critica nova decisão da cúpula do PMDB

O governador de Minas, Itamar Franco (PMDB), e seus aliados reagiram à nova decisão da cúpula nacional do partido, segundo a qual o vencedor das prévias, marcadas para 17 de março de 2002, só saberá que ganhou depois de se desincompatibilizar. Isso significa que Itamar teria de deixar o governo estadual sem conhecer a decisão das primárias peemdebistas, nas quais ele disputa a indicação com o senador gaúcho Pedro Simon."São artifícios que a cada instante vão aparecendo, obstáculos colocados por aqueles que dirigem o partido", queixou-se Itamar, durante homenagem prestada ao ex-deputado Raul Belém, recém-falecido e que foi secretário de Agricultura de Minas. "É algo que não podemos aceitar", acrescentou o governador, que classificou a participação nas prévias, com a nova regra, como "um pulo no escuro".Apesar disso, Itamar - que, pessimista em relação às chances de sair candidato ao PMDB, já estaria considerando a possibilidade de tentar a reeleição no Estado, segundo assessores - não disse se pretende tomar alguma atitude. "Não sei se vou questionar", afirmou. Já alguns aliados do governador, para os quais a decisão do comando do PMDB foi "mais uma provocação" a Itamar, ameaçaram retomar a proposta de convocação de uma convenção nacional extraordinária do partido, na qual os participantes rediscutiriam as regras das prévias. A idéia da convenção surgiu no mês passado, quando o comando nacional do partido decidiu reduzir o quórum das primárias de mais de 100 mil para pouco menos de 4 mil pessoas.As bases municipais, com as quais Itamar contava para ser o escolhido, foram excluídas. Depois de muito bate-boca entre itamaristas e governistas da legenda, no entanto, houve acordo: os cerca de 11 mil vereadores do PMDB foram incluídos no colégio eleitoral, o que agradou ao governador mineiro, e a tese da convenção extraordinária foi deixada de lado. "Agora eles vêm com mais uma manobra para tentar impedir a candidatura de Itamar", disse o deputado federal Hélio Costa (PMDB-MG). "Como se trata de uma provocação, vamos responder com outra. Ou seja, se insistirem neste absurdo (a necessidade de desincompatibilização do pré-candidato antes de saber se ganhou as primárias), vamos ter que convocar a convenção nacional", completou. De acordo com Costa, já foram reunidas mais de 300 assinaturas de peemedebistas de vários Estados, o que, conforme o estatuto do partido, garantiria a convenção.

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