Itamar considera expulsão correta

O embaixador do Brasil em Roma, Itamar Franco, disse que considera correta a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de expulsar o jornalista Larry Rohter, do jornal New York Times. "O que não pode permitir é desonrar o Presidente da República e o País", afirmou Itamar, para quem, a matéria teve uma repercussão internacional muito grande. "Eu achei correto, porque se a gente for analisar o que os jornalistas do Brasil, não digo todos, fazem contra nós políticos... Eles inventam doenças e notícias que não correspondem à realidade", justificou o embaixador. "O que eu digo é para o governo não processar este jornalista porque vai gastar dinheiro. Mas eu não deixaria que ele exercesse a profissão aqui porque ele ofendeu o presidente, a nossa Nação e, o mais grave, com o apoio do jornal que tem grande penetração nos Estados Unidos e internacionalmente", afirmou, referindo-se ao fato de o NYT haver endossado a matéria de seu correspondente. Itamar disse que não achou exagerada a decisão do governo. "Se o presidente se acovardasse com uma calúnia dessas seria muito pior", afirmou, após encontro com o presidente do Congresso Nacional, José Sarney (PMDB-AP). Anteriormente, ao ser homenageado por deputados da bancada mineira na Câmara dos Deputados no gabinete do deputado Marcelo Siqueira (PMDB), o ex-presidente da República havia dito que ninguém pode denegrir a figura do presidente e o País, a não ser que haja outras intenções. "Os americanos nunca jogam à toa, num processo de tentar desmoralizar o presidente Lula", disse Itamar, para quem o presidente brasileiro representa, hoje, uma espécie de anteparo a qualquer intervenção norte-americana em Cuba ou na Venezuela. "Lula tem um espectro importante na política internacional", sustentou. Ele opinou, também, que a liberdade de imprensa no País não foi ferida com a decisão. "Liberdade de imprensa é também saber respeitar a autoridade máxima do País", afirmou, defendendo a tese de que o governo não tinha outra saída, "sob pena de ser considerado um governo fraco, que pode ser desmoralizado por qualquer jornalista". Como o correspondente é casado com uma brasileira, ele até admite que o governo o deixe continuar vivendo aqui, "gozando as delícias do País, mas não trabalhando".

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