Itamar confirma desistência de pré-candidatura

O ex-presidente Itamar Franco confirmou, nesta segunda-feira, que desistiu de ser pré-candidato à Presidência pelo PMDB e vai disputar a indicação do partido ao Senado. Itamar recebeu o apoio do ministro das Comunicações, Hélio Costa, mas poderá ganhar mais um adversário na disputa interna: o ex-governador de Minas, Newton Cardoso, seu ferrenho opositor no diretório estadual da legenda. O ex-presidente formalizou sua decisão numa reunião esvaziada, que contou com a presença de apenas dois deputados estaduais e três federais, além de Costa.Ao final, Itamar distribuiu uma carta, na qual reclama dos "estranhos rumos" tomados pelo PMDB e classifica a ala contrária à candidatura própria como uma "facção", que pretende que os eleitores acreditem que "o maior partido político do Brasil não pode ter caminho próprio na eleição do mais alto cargo da República para ater-se a situações regionais"."Recuso-me a ver o Brasil sobre prisma tão indigente", disse na carta, salientando também que não se dispõe a "engrossar as fileiras" dos correligionários "que acreditam poder modificar nos tribunais, mediante disputa fratricida, a vontade da maioria que já manifestou não desejar disputar o pleito de 2006 com candidato próprio". Itamar, que antes de lançar-se pré-candidato presidencial descartava a possibilidade de entrar na disputa interna para o Senado, disse que irá levar seu nome à convenção estadual, prevista para junho. O ex-prefeito de Juiz de Fora, Tarcísio Delgado, decidiu desistir em seu favor, mas o ex-deputado federal e ex-prefeito de Uberlândia, Zaire Resende - ligado ao grupo peemedebista que defende uma aliança com o PT nas eleições estaduais -, já anunciou que mantém a candidatura mesmo com Itamar no páreo.Agora é Newton Cardoso quem sinaliza com a pré-candidatura. Nesta segunda-feira, o ex-governador fez circular a informação que uma pesquisa interna indica que ele é o favorito para a disputa. Itamar desdenhou e disse que torce para que ele concorra à indicação do partido. "Porque, de uma vez por todas, nós vamos acabar com isso (troca de agressões)", disse. "Se ele for disputar comigo (a indicação) ao Senado, vai ser uma graça de Deus." SimonO ex-presidente afirmou que não poderia comentar a eventual candidatura presidencial do senador Pedro Simon (RS) - seu aliado histórico -, pois ela não era ainda uma realidade. "Ele não me telefonou, dizendo que é ou não candidato", observou. "Hoje ela (a candidatura) não existe."O ministro das Comunicações, contrário à tese da candidatura própria, no entanto, não poupou ataques à eventual candidatura do senador gaúcho. "Eu não comungo com a idéia e acho que é meio shakespeariana. Porque é o sonho de uma noite de verão, ou inverno", ironizou Costa, afirmando que a proposta "não tem futuro".Ele reafirmou que considera o melhor para o PMDB não ter candidato próprio à Presidência e espera que o partido aumente as suas bancadas no Congresso e o número de governadores. Costa hipotecou apoio a Itamar, destacando que irá apoiar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Itamar Franco é senador por antecipação e espero que o povo de Minas Gerais confirme isso. Acredito que vai ser bem sucedido pelo seu histórico de homem de bem e pela seriedade com que sempre tratou a política", disse. O ministro afirmou ainda que vai trabalhar para uma aliança em Minas com os partidos que compõem a base aliada ao Planalto. Em Minas, o PMDB mineiro está dividido entre o apoio à reeleição do governador Aécio Neves (PSDB) e à candidatura petista ao Palácio da Liberdade.O presidente do diretório estadual do PT, Nilmário Miranda, provável candidato do partido, já convidou o vice-presidente da República, José Alencar, para concorrer ao Senado com o apoio da legenda. Mas os petistas não fecharam as portas para Itamar. A intenção é que mesmo que ele confirme o apoio a Aécio no plano estadual, peça votos para o presidente Lula na eleição presidencial.O governo federal já fez um agrado recente a Itamar ao indicar a ex-procuradora-geral do Estado - durante sua gestão -, Carmem Lúcia Antunes Rocha, ao Supremo Tribunal Federal (STF). Nesta Segunda, o ex-presidente não confirmou o apoio à reeleição de Aécio.Ressaltou o "apreço" que tem pelo governador tucano, mas disse que seu destino depende do partido. "Se o partido caminhar para lá ou para cá, se eu não estiver na linha de frente, eu vou tomar o meu caminho". Na mesma linha, não quis adiantar se apoiará novamente Lula caso o PMDB não tenha mesmo candidato à Presidência.

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