Itamar comemora 21 de abril em clima de campanha

Em clima de campanha eleitoral, o governador de Minas, Itamar Franco (PMDB), transformou as comemorações dos 212 anos da Inconfidência Mineira, em Ouro Preto, a 100 quilômetros de Belo Horizonte, em um grande ato de protesto contra o presidente Fernando Henrique Cardoso, em defesa da criação no Congresso da CPI da Corrupção e contra a possível privatização de Furnas Centrais Elétricas. Além do alferes Tiradentes, considerado o mártir da Inconfidência, Itamar homenageou na solenidade o ex-presidente Juscelino Kubitschek, a quem o classificou como legítimo representante "da marca, da paixão e do compromisso de Minas como Brasil".A lembrança foi um desagravo de Itamar contra Fernando Henrique, que recentemente comparou-se a Juscelino. Mesmo sem a presença de grandes líderes nacionais de esquerda, ao contrário do que ocorreu nos dois primeiros anos do atual governo, oito mil pessoas participaram do evento, segundo a Polícia Militar. A platéia foi composta em sua maioria por estudantes - que gritaram "Itamar para presidente" quase todo o tempo -, sindicalistas e integrantes mineiros de partidos de oposição ao governo federal, portando faixas nas quais condenavam a eventual venda de Furnas, exigiam a criação da CPI e acusavam o presidente da República de ladrão.A Executiva Estadual do PT proibiu a presença de seus integrantes, por entender que Itamar, pré-candidato do PMDB à Presidência, estaria utilizando a solenidade para fazer campanha eleitoral, para ele e para seu vice, Newton Cardoso, que deve disputar a sucessão em Minas. Muitos rebeldes do partido, no entanto, estiveram no palanque e na praça Tiradentes. "Itamar para presidente" era O Forum Nacional de Lutas, presidido pelo petista mineiro Carlos Calazans, que montou um painel na Praça com os nomes dos 54 deputados federais e três senadores mineiros. A intenção foi mostrar à população quais deles não assinaram a proposta de formação da comissão mista no Congresso para apurar denúncias de corrupção no governo federal. "Desta forma, a população poderá cobrar desses parlamentares e fazer com que apoiem imediatamente a CPI", disse.MP - Na comemoração, em que 173 autoridades foram condecoradas com a Medalha da Inconfidência - entre elas, parlamentares, profissionais liberais, artistas, militares e até a miss Brasil Beleza Internacional, Fernanda Tinti - Itamar Franco não atendeu à recomendação do Ministério Público estadual. Durante a semana, a Promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Minas advertiu o governador, por meio de ofício, para que suspendesse a ampla campanha publicitária promovida em torno do evento, cujo custo não foi revelado. O MP entendeu que a campanha e a própria solenidade poderiam servir às pretensões eleitorais do governador e do vice. Mesmo assim, dezenas de outdoors e faixas foram mantidos em Belo Horizonte e ao longo da estrada que liga a capital a Ouro Preto, com dizeres como "Em Minas, o que se respira é a liberdade" e "Minas, aqui se constrói um País". Também permaneceram no ar peças publicitárias no rádio e na TV.O promotor Eduardo Nepomuceno Souza informou que medidas judiciais podem ser tomadas, caso se constate a utilização da máquina pública com propósitos eleitorais. Em seu discurso, no qual lembrou Tiradentes, Itamar criticou o MP. "É lamentável que o Ministerio Público de Minas confunda a liberdade e a defesa dos direitos humanos com apologia de candidaturas", disse.

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