Itamar chama FHC de "traidor da pátria"

O governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), lançou hoje, em ato público no Palácio da Liberdade, um movimento que pretende se tornar nacional contra a privatização de Furnas, proposta pelo governo federal. Itamar acusou o presidente Fernando Henrique Cardoso de "traidor da pátria", defendeu a CPI da Corrupção e confirmou sua intenção de ser candidato do PMDB à Presidência, em 2002.Ele reuniu em uma tenda montada nos jardins do Palácio cerca de 400 pessoas, entre parlamentares, secretários de Estado, representantes de entidades como a UNE, o MST e a CUT, e prefeitos da região da região Sudoeste de Minas, onde fica o lago de Furnas.Itamar, que já havia prometido capitanear a luta em todo o Brasil contra a possível venda da estatal, transformou o evento em palanque eleitoral. O governador foi o primeiro a subscrever um abaixo-assinado preparado pelo Forum Nacional de Lutas, a favor da CPI.A Associação dos Municípios da Legião do Lago de Furnas (Alago) inaugurou, durante o ato, a campanha "Furnas, não! Minas. Aqui se defende o País", com distribuição de camisetas com o slogan aos participantes.O engenheiro Ataíde Vilela, presidente do Sindicato dos Eletricitários de Furnas, citou o que ocorreu na Califórnia (EUA), cuja população estaria enfrentando "apagões" e altas tarifas de energia elétrica após a privatização do setor de energia. "Estão querendo copiar aqui o modelo da California", disse. "Mas se o povo brasileiro se conscientizar dos riscos que corremos, como estão demonstando os estudantes presentes a este ato, não tenho dúvidas: a privatização de Furnas não sai". Segundo ele, a estatal é responsável por 43% da produção nacional de eletricidade.O governador mineiro afirmou que a venda de Furnas representaria a quebra do Estado de Direito, já que as águas são bem difuso e não podem ser alienadas. "Vamos dizer ao governo do senhor presidente da República que Minas resistirá até onde for possível", afirmou, depois de pedir aos participantes que se levantassem e dessem as mãos.Em discurso inflamado, Itamar Franco assegurou que, em 2002, caso seja escolhido pelo PMDB para a disputa presidencial e consiga retornar ao Palácio do Planalto, todas as denúncias de corrupção contra o atual governo federal serão investigadas. Isto acontecerá, explicou, se deputados e senadores não aprovarem a criação da CPI neste momento. "Em 2002 escolheremos o novo presidente e o novo Congresso Nacional e, aí sim, poderemos retirar dos armários toda essa CPI que eles querem impedir neste instante", disse.

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