Itamar articula presidência do PMDB

O governador de Minas Gerais, Itamar Franco, assumiu pessoalmente as articulações com que pretende chegar à presidência nacional do PMDB e, com isso, facilitar o lançamento de sua candidatura à sucessão presidencial de 2002. Ele desembarcou na capital federal hoje prometendo dar novo rumo ao partido e fez a primeira rodada de negociações com lideranças da ala rebelde do PMDB, interessadas na candidatura própria e em uma postura de independência ao Palácio do Planalto. Para ele, a hesitação do partido em abandonar o governo federal transformou-se em uma encruzilhada. "Conosco, ele terá outro destino, mas é o partido que deve decidir, na convenção, se continua ou não com o governo", frisou, defendendo a entrega imediata dos cargos na administração pública. "O partido está se enganando e o resultado disso será complicado para o PMDB".Hoje, o governador mineiro passou o dia reunido com o ex-presidente nacional doPMDB, o ex-deputado Paes de Andrade (CE), e com o presidente regional do partidoem Minas, deputado Saraiva Felipe. Amanhã, ele continua os entendimentos duranteencontro com o senador Pedro Simon (RS), lançado pré-candidato do partido àsucessão presidencial, e com o senador Maguito Vilela (GO), presidente nacional dalegenda. É uma reunião para aparar arestas, já que Simon ficou irritado pelo fato deItamar ter antecipado o lançamento de sua candidatura."Eu não tenho conversado com o Pedro, mas as posições dele devem serrespeitadas", disse Itamar hoje, com um discurso conciliador. Enquanto o políticomineiro articulava em um hotel de Brasília, Maguito tentava convencer Pedro Simon aaceitar Itamar Franco como vice em uma chapa para a presidência do partido. Em curtaentrevista, o governador de Minas aproveitou para ironizar declarações do presidenteFernando Henrique Cardoso, que garantiu nesta semana que elegerá seu sucessor em2002. "O mundo tem muitos cabotinos", desdenhou Itamar.Em meio à guerrilha interna pelo comando da legenda, Paes de Andrade, garantiu quealguns peemedebistas ligados ao presidente Fernando Henrique começam a aderir aogrupo dissidente. Referiu-se ao líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL). Eletambém minimizou o fato de a passagem do governador por Brasília não ter geradogrande mobilização de políticos. "Não houve nenhuma convocação da presidência dopartido, mas vamos tratar de alguns assuntos políticos", afirmou. Paes de Andradegarantiu que não existe a menor possibilidade do governador de Minas deixar o partidoapós a convenção nacional. "Ele está no PMDB, ficará no PMDB e será eleito presidenteda República pelo PMDB".

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