Wilton Junior/AE
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Itamar afirma que Lula é 'menos democrata que os militares'

Ex-presidente da República diz que o Congresso Nacional é totalmente manipulado pelo Executivo

O Estado de S. Paulo

26 de agosto de 2009 | 15h47

Depois de reclamar do que chamou de "interferência indevida e violenta" do Executivo no Congresso Nacional, o ex-presidente da República Itamar Franco (PPS) afirmou nesta quarta-feira, 26, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "se diz muito democrata, mas foi menos que os militares, porque está interferindo".

 

Itamar, que foi homenageado na Câmara Municipal do Rio,  não poupou comparações. "O Senado hoje é totalmente manipulado pelo presidente da República. Nem no regime militar assistimos isso tão forte como se assiste hoje. No regime militar se podia ter presidentes de comissões, como eu fui", afirmou.

 

Ele citou especificamente a "interferência no problema" da CPI da Petrobrás. "Nem o regime militar me proibiu de ser presidente (de comissões)", disse o ex-presidente, que era senador e comandou a comissão de assuntos nucleares.

 

"E o problema nuclear era, para o presidente Ernesto Geisel (1974-1979), tão interessante quanto sempre foi a Petrobrás. No entanto, o governo, àquela época militar, não nos exigiu a relatoria e eu, como senador da oposição, presidi a política nuclear, como presidi a comissão que examinou as eleições diretas", lembrou.

 

O governo Geisel decretou o fechamento do Congresso, em abril de 1977. "É claro que, naquela época, eles podiam cassar mandatos. O presidente (Lula) ainda não chegou a esse absurdo. Não sei se até 2010 ele vai cassar", afirmou Itamar.

 

O ex-presidente ressalvou que o Legislativo está permitindo a interferência do Executivo. "O presidente na República está atuando violentamente no Legislativo, particularmente no Senado, e o Legislativo, de um modo geral, está permitindo. O que a gente começa a escutar nas ruas é ruim: 'Fecha o parlamento'. Não vão no núcleo central da crise, que é o presidente da República", discursou.

 

Itamar voltou a defender a candidatura a presidente do governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), para ele "a única efetivamente de oposição". "Enquanto alguns ciscam para lá e para cá, o governador de Minas está ciscando para a frente."

 

Também disse que, com a eventual candidatura da senadora Marina Silva (sem partido-AC), haverá uma "alteração para melhor" do processo eleitoral, que "vai deixar de ser plebiscitário, como o governo deseja".

 

Sobre uma eventual candidatura sua, desconversou: "Entrei no PPS porque resolvi não continuar em voo solo. Para atuar politicamente, não eleitoralmente. Estava na arquibancada, vendo o jogo um pouco de longe. Agora passei a sentar no banco de reservas, mas sem chuteiras."

 

O ex-presidente foi homenageado na Câmara Municipal do Rio, que rememorou o atentado ocorrido no dia 27 de agosto de 1980, quando cartas-bomba enviadas ao gabinete do vereador Antonio Carlos (MDB) e à presidência da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) mataram a secretária Lyda Monteiro da Silva.

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