Itália pretende recorrer à corte de Haia para obter extradição de Battisti

O país já teria pedido à Dilma Rousseff para reconsiderar a decisão anunciada por Lula

EFE,

02 de janeiro de 2011 | 10h20

O governo italiano está disposto a recorrer ao Tribunal de Haia para conseguir a extradição do italiano Cesare Battisti após a recusa do Executivo brasileiro de entregá-lo à Itália, onde foi condenado por quatro homicídios.

 

As declarações foram dadas pelo ministro das Relações Exteriores italiano, Franco Frattini, em entrevista publicada neste domingo pelo jornal Corriere della Sera, na qual ele também afirma que a Itália enviou uma carta à nova presidente brasileira, Dilma Rousseff, para que reconsidere a decisão anunciada por Lula sobre Battisti.

 

Na carta, a Itália pede a Dilma que revise "a decisão de seu antecessor" e considere a "sentença do Supremo Tribunal Federal (STF)" que autorizou a extradição de Battisti, condenado à prisão perpétua na Itália por quatro assassinatos cometidos na década de 1970, durante a ditadura.

 

Segundo Frattini, o governo italiano está decidido a utilizar todas as vias legais para conseguir a extradição de Battisti, inclusive recorrendo ao Tribunal de Haia. Após conversas com o primeiro-ministro, Silvio Berlusconi, e com o ministro da Defesa, Ignazio La Russa, Frattini decidiu pedir à Câmara dos Deputados o congelamento do acordo estratégico entre Itália e Brasil que deveria ser ratificado em janeiro.

 

Trata-se de um acordo de colaboração econômica, através do qual a Itália se comprometia a conceder ao Brasil 5 bilhões de euros (US$ 6,7 bilhões) para a compra de naves, mísseis e radares. O presidente italiano Giorgio Napolitano, se disse "desiludido" pela decisão de Lula.

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