Itália obtém moção contra Brasil

Parlamento Europeu aprova resolução que sugere cancelar concessão de asilo político a Cesare Battisti

Andrei Netto, PARIS, O Estadao de S.Paulo

06 de fevereiro de 2009 | 00h00

O Parlamento Europeu aprovou ontem, em Estrasburgo, na França, uma resolução convidando o Brasil "a levar em consideração a sentença italiana" que condenou o extremista Cesare Battisti à prisão perpétua. O texto, do deputado Mario Mauro, da bancada democrata-cristã da Itália, foi aprovado por 46 votos a favor e 8 contrários. Durante a sessão, porém, a representante da Comissão Europeia alertou que o texto não muda a postura de não-intervenção do bloco de 27 países na disputa bilateral.A discussão sobre a extradição de Battisti - condenado por assassinatos nos anos 70 - foi o último tema da pauta do Parlamento ontem, quando quase não havia mais quórum para a sessão. O mínimo é de 40 deputados, de um total de 785 membros.Mauro defendeu a sua proposta de resolução. O texto afirmava a confiança do Parlamento Europeu de que o Brasil revisará a decisão contrária à sentença tomada pela Itália, "respeitando plenamente os princípios de direito da União Europeia". "Battisti não foi apenas condenado pelos tribunais italianos, mas também franceses. Ficar de braços cruzados não seria correto", disse Mauro, em seu discurso. "A Europa deve ser solidária aos italianos."Outra italiana, Cristina Muscardini, copresidente da União pela Europa de Nações, grupo de partidos de direita e extrema direita, voltou a criticar o refúgio concedido pelo ministro da Justiça, Tarso Genro: "O caso envolve um terrorista condenado." Logo a seguir, a também italiana Roberta Angelilli aproveitou seu tempo para pedir um minuto de silêncio em homenagem às vítimas dos anos de chumbo.O cipriota Marios Matsakis Alde foi duro: "A decisão é lamentável, deplorável. Devemos deixar claro que o governo brasileiro se faz cúmplice." Para Manuel Medina Ortega, representante espanhol do bloco socialista, o refúgio foi "um erro". A única voz dissonante na tribuna foi a do sueco Carl Schlyter.Ao término dos discursos, a presidente da sessão, a grega Rodi Kratsa-Tsagaropoulos, lembrou o caráter político do debate, antes de colocá-lo à votação. A aprovação do texto, contudo, não significa, na linguagem parlamentar, uma condenação ao Brasil. Tampouco altera a postura de não-intervenção na disputa entre os dois países.

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