Itália insistirá em punir acusados de seqüestro

Apesar de o governo brasileiro já ter decidido rejeitar o pedido de extradição de 13 pessoas implicadas na Operação Condor, o procurador da República italiano Giancarlo Capaldo continua determinado a processar e prender os acusados. Em seu escritório no Tribunal de Justiça de Roma, ele disse ao Estado que as dificuldades nas extradições não o desencorajam. Capaldo voltou a pedir colaboração de Brasil para punir os responsáveis pelo seqüestro dos ítalo-argentinos Horacio Domingo Campiglia e Lorenzo Ismael Vinas, ocorrido em 1980. Entre os 13 brasileiros citados, 8 estão mortos."O Brasil deveria processar essas pessoas, ou permitir que a Itália faça esse processo. O governo brasileiro deveria ter interesse em conhecer a verdade, portanto a fazer justiça a respeito das mortes. Se essas pessoas são responsáveis, deverão ser condenadas", afirmou o procurador.Capaldo disse que os brasileiros destinatários do mandado de prisão tiveram participação no crime de repressão clandestina e entregaram ilegitimamente Campiglia e Vina a torturadores argentinos. "Eles permitiram a captura de alguns montoneros no Aeroporto do Rio de Janeiro, que depois foram entregues às autoridades argentinas e, em seguida, torturados e mortos." As investigações começaram em 1999, mas só em dezembro de 2007 a juíza italiana Luisanna Figliolia autorizou o pedido de prisão de 140 pessoas suspeitas de envolvimento na Operação Condor. Até agora, o único detido foi Nestor Jorge Fernandez Troccoli ex-oficial do Serviço de Inteligência da Marinha uruguaia que vivia em Salerno, no sul da Itália. Ele é acusado da morte de quatro cidadãos italianos. A exemplo do que deve ser a decisão brasileira, a Justiça uruguaia devolveu à da Itália 31 pedidos de detenção em seu país, por conter "vícios de forma".

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