Alexandre Auller/Estadão
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Itália espera 'retribuição' do Brasil após caso Pizzolato

Dilma visita o país pela primeira vez desde que governo autorizou extradição de ex-diretor do BB; para alto representante de Roma, objetivo é 'virar a página' na relação com o Brasil

Jamil Chade, correspondente, O Estado de S. Paulo

10 de julho de 2015 | 05h00

Roma - Pela primeira vez desde o sinal verde do governo italiano para extraditar Henrique Pizzolato ao Brasil, as mais altas autoridades de Roma e Brasília se reúnem nesta sexta-feira, 10, na capital italiana. Oficialmente, o assunto do ex-diretor do Banco do Brasil não estará na agenda entre a presidente Dilma Rousseff e o primeiro-ministro Matteo Renzi. Mas fontes em Roma garantem que esperam que o Palácio do Planalto entenda que o gesto do governo foi inédito e que, agora, é "tempo de retribuição".

Pizzolato, condenado no caso do mensalão, ainda está preso na Itália e aguarda uma decisão final da Justiça, depois de um recurso do brasileiro que freou o processo. A audiência está marcada para setembro. Mas, pela primeira vez na história das relações bilaterais, Roma aceitou extraditar um cidadão que também tem nacionalidade italiana. 

Na agenda desta sexta, os italianos querem falar da venda de fragatas ao Brasil, um assunto que acabou congelado em 2012. Mas também querem que a relação que foi considerada como "estratégica" em 2007 volte a ganhar o mesmo padrão. 

Os italianos organizam para o final do ano ou início de 2016 uma ampla comitiva de empresários em busca de negócios no País.  

Nesta sexta, os italianos também esperam ouvir de Dilma uma posição favorável as empresas de Roma. São cerca de 1,2 mil atuando no Brasil, com um estoque de investimentos de quase US$ 20 bilhões. O comércio, em 2014, também colocou os italianos entre os dez maiores parceiros comerciais. 

"Queremos virar a página e dar um sinal claro de que queremos uma nova relação com o Brasil", disse um alto representante do governo Renzi. 

Do lado dos italianos, porém, o governo tem sempre insistido na questão de Cesare Battisti, condenado em Roma por terrorismo e que ganhou asilo no Brasil. Agora, com a decisão de Renzi de extraditar Pizzolato, a esperança é de que o gesto seja retribuído. 

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