Itália envolve França no caso Battisti

Subsecretário de Relações Exteriores diz que Sarkozy e Carla Bruni fizeram lobby para que Brasil acolhesse extremista

Jamil Chade, GENEBRA, O Estadao de S.Paulo

26 de janeiro de 2009 | 00h00

Um membro do governo italiano acusou o presidente da França, Nicolas Sarkozy, e sua esposa, a franco-italiana Carla Bruni, de terem pressionado o Brasil a conceder o status de refugiado político ao ex-militante de extrema esquerda Cesare Battisti. Ontem mesmo, em entrevista à RAI, Carla Bruni chamou a acusação de "calúnia" e negou qualquer tipo de envolvimento no caso e com Battisti, condenado a prisão perpétua na Itália."Não tive nenhum papel, absolutamente não, e estou muito surpresa com o modo como este boato cresceu. Jamais defendi Battisti e estou contente de poder responder a esta pergunta e poder dizer isso também aos familiares das vítimas", disse a primeira-dama, em programa difundido ontem na emissora de TV italiana.No sábado, o subsecretário de Relações Exteriores da Itália, Alfredo Mantica, acusou o casal presidencial francês de estar envolvido no caso. "Já está claro que as pressões sobre Lula no caso Battisti foram feitas por Sarkozy", afirmou, citando ainda a suposta participação de Carla Bruni no episódio.Os primeiros rumores do envolvimento de Sarkozy surgiram com declarações do senador Eduardo Suplicy (PT-SP) ao jornal italiano Corriere della Sera. Suplicy disse que Sarkozy e Carla Bruni pediram a intervenção de Lula no caso. Segundo o senador, Bruni é amiga da escritora francesa Fred Vargas, que fez campanha para evitar a prisão de Battisti.Carla Bruni, em entrevista, disse acreditar que os boatos tenham surgido por causa de sua viagem ao Brasil em dezembro. "Não vejo como alguém possa pensar que a mulher de um presidente possa falar destas coisas com o presidente de um outro Estado", afirmou Bruni à RAI.Advogado de Battisti, Eric Turcon, foi além. "O presidente aceitou organizar um encontro com o secretário Nacional de Justiça brasileiro, Romeu Tuma Jr. Graças ao encontro o refúgio político foi obtido no Brasil", disse ele à agência ANSA.Em relação ao Brasil, Mantica disse que o caso abre uma "fratura grande" entre os dois países. Para ele, a carta de Lula explicando o ato em relação a Battisti é "ainda mais ofensiva ao povo italiano".O subsecretário reservou as maiores críticas à primeira-dama francesa. "Ela diz se sentir orgulhosa de não ser mais italiana, nós respondemos que estamos orgulhosos de que ela não seja mais italiana, e que a França tenha acolhido uma senhora como ela", criticou. Carla Bruni havia declarado que não se sentia italiana ao ver o comportamento do governo de Silvio Berlusconi.

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