Por mais apoio político, Dilma nomeia novos conselheiros de Itaipu

Roberto Amaral, do PSB, e o ex-deputado Maurício Requião são indicados para conselho da usina com salário de R$ 20,8 mil

Ricardo Brito, Rafael Moraes Moura e Ricardo Della Coletta, O Estado de S.Paulo

03 de junho de 2015 | 09h54

Atualizado às 22h51

BRASÍLIA - Depois de garantir a aprovação de medidas provisórias cruciais para o ajuste fiscal, o Palácio do Planalto destravou as nomeações do segundo escalão do governo, contemplando PMDB, PT e até o PSB para reforçar apoios políticos e pacificar a base para as próximas votações no Congresso. O principal desafio do Planalto, agora, é garantir a aprovação do projeto de lei que revê as desonerações da folha de pagamento e evitar uma desfiguração pelos parlamentares. 

A presidente Dilma Rousseff nomeou ontem como conselheiros da usina Itaipu Binacional o irmão do senador Roberto Requião (PMDB-PR), ex-deputado Maurício Requião de Mello e Silva, e o fundador e ex-presidente do PSB Roberto Amaral. Eles vão ocupar os postos até 16 de maio de 2016, com salário mensal de R$ 20,8 mil. Ambos apoiaram a reeleição da presidente no ano passado. O ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, foi conselheiro na empresa de maio de 2012 a janeiro deste ano.

O governo atribui a aceleração das nomeações a um ritmo natural dos trâmites burocráticos, que envolve checagem da ficha dos indicados, eventuais desligamentos de cargos e resolução de pendências judiciais. 

Ex-ministro de Lula, Amaral é um dos críticos da ação independente do PSB e defende nos bastidores o retorno do partido à base aliada de Dilma. Após o 1.º turno da eleição presidencial, o então presidente em exercício do partido afirmou que seu partido havia traído a luta de Eduardo Campos – morto em acidente de aéreo em agosto de 2014 – quando apoiou a candidatura do tucano Aécio Neves. 

Já Requião fez campanha para voltar a governar o Paraná no ano passado. Na reta final do 1.º turno, o senador do PMDB chegou a receber o apoio velado da campanha de Dilma – o PT tinha a senadora e ex-ministra Gleisi Hoffmann como candidata. Mesmo assim, o governador Beto Richa (PSDB) foi reeleito em 1.º turno, Requião ficou em segundo e Gleisi, em terceiro. 

Afagos. Em mais um esforço para apaziguar os ânimos dentro da base, a bancada do PMDB de Santa Catarina foi contemplada nesta semana com a nomeação de Vinicius Lummertz para o cargo de presidente da Embratur. Já na Câmara, os peemedebistas foram atendidos com a definição de Celso Luiz Garcia para o cargo de diretor-geral do Departamento Nacional de Produção Mineral, com a chancela do líder Leonardo Picciani (RJ). 

Em um gesto ao PT, a presidente Dilma Rousseff nomeou o petista Newton Lima Neto para ocupar o cargo de presidente da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares. O decreto foi publicado na terça-feira no Diário Oficial da União. 

Em meio às críticas da base aliada para o preenchimento dos cargos, o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, já havia dito que os parlamentares que apoiaram o governo teriam preferência na distribuição dos cargos do segundo escalão. 

Tudo o que sabemos sobre:
Dilma RousseffItaipu

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.