IstoÉ: fitas causaram guerra na Procuradoria

Segundo a matéria de capa da revista IstoÉ "Fisgado pela voz", na qual o professor e perito em fonética Ricardo Molina de Figueiredo atesta a autenticidade da gravação que envolve o senador Antônio Carlos Magalhães, a existência de gravações e sua divulgação causaram uma guerra interna na Procuradoria da República. Conforme a reportagem, foram gravadas três fitas, duas delas em um microcassete que o procurador Luiz Francisco carregava no bolso do paletó, com o conhecimento de seus dois colegas. A terceira, considerada inaudível até a última sexta-feira, foi gravada na sala do próprio Luiz Francisco, separada apenas por uma divisória de madeira do gabinete de Eliana Torelly, onde ocorreu a conversa com ACM.As duas primeiras fitas captaram a conversa com nitidez. A reportagem informa que a revista teve acesso a elas no final da manhã da quarta-feira, dia 27, o que, horas depois, gerou a crise no Ministério Público. Numa tensa reunião na sala de Torelly, da qual participaram outros procuradores, ela e Schelb teriam criticado comportamento de Luiz Francisco, que, depois de muita discussão, jogou no chão um saco de plástico com as fitas e o pisoteou, com isso quebrando o invólucro de uma delas. Em seguida, segundo a reportagem, Eliane as recolheu e guardou as fitas.Em seguida, ela contou aos colegas que picotou e destruiu as fitas e, desse modo, teria acabado com as provas que o Senado Federal necessita para processar o senador Antonio Carlos Magalhães por falta de decoro parlamentar.De acordo com a revista, Eliana Torelly não se limitou a dar um sumiço nas duas fitas. Junto com Schelb, divulgou uma nota em que afirmam não terem conhecimento de "supostas gravações clandestinas" e desautorizam o vazamento da conversa com ACM. Alegaram um acordo com o senador baiano para que a conversa fosse mantida em sigilo.De acordo com a reportagem, Luiz Francisco negou a existência de qualquer acerto prévio com o senador. Schelb e Eliana sabiam do que estava sendo feito e Antônio Carlos desconfiava. Ao se despedir dos procuradores, o senador teria percebido um volume no bolso interno do paletó de Schelb e o apalpou para se certificar de que não se tratava de um gravador. "Fiquei assustado. Ainda bem que ele foi em cima de mim. Se ele vai no Luiz, ia dar um rolo danado", comentou Schelb logo depois da reunião.

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