'Isso aí é briga política, se chama 2010', diz Jobim sobre CPI

Para ministro da Defesa, comissão que vai investigar Petrobras é antecipação da sucessão presidencial

Rodrigo Viga Gaier, da Reuters,

18 de maio de 2009 | 12h28

A criação da CPI da Petrobras representa uma antecipação do processo eleitoral de 2010, de acordo com o ministro da Defesa, Nelson Jobim. "Isso tudo aí é briga política, se chama 2010", disse Jobim a jornalistas após participar da abertura de um encontro de fuzileiros navais. A leitura do requerimento na sexta-feira para criação da CPI, primeiro passo no processo de instalação da comissão, foi comandada pelo PSDB, partido que rivaliza com o PT na sucessão presidencial do ano que vem. Mesmo o DEMs, aliado dos tucanos, não têm interesse na CPI.  

 

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Nelson Jobim, que é do PMDB, acredita que a oposição vai criar novos fatos políticos ao longo deste ano para tentar enfraquecer o governo. "Vai haver a partir dessa antecipação do processo eleitoral uma enormidade de retaliações, que são naturais, considerando a eleição de 2010. Não existem regras para isso. As coisas acontecem", avaliou Jobim, que descartou a possibilidade de uma candidatura à sucessão presidencial. 

 

O deputado federal André Vargas (PT-PR) começa nesta segunda-feira a coletar assinaturas com o objetivo de transformar a CPI do Senado sobre a Petrobras em comissão mista. Primeiro, Vargas diz que vai tentar criar uma nova CPI, desta vez na Câmara. E, se não for possível, vai propor a CPI mista. O objetivo de uma nova comissão é desviar as atenções do Senado e enfraquecer a CPI instalada na última sexta-feira.

 

Outra tentativa de desviar as atenções é o depoimento do presidente da empresa, Sérgio Gabrielli. O PSDB já avisou que não se opõe a ouvir a Petrobras, mas que isso não será "moeda de troca" para impedir a instalação da CPI destinada a investigar supostas irregularidades na estatal de petróleo. "Não tapo meus ouvidos para ninguém, mas uma coisa não invalida a outra", afirmou o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio Neto (AM), ao lembrar que a existência da CPI não está em jogo, porque a decisão de instalar a comissão já foi tomada.

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